sexta-feira, 1 de julho de 2011
Consumo de Moluscos terrestres por caçadores-recolectores
Trata-se de um recurso alimentar frequentemente esquecido quando pensamos na disponibilidade de alimento providenciado pelos nossos ecossistemas, demonstrando que, mesmo sem agricultura, existia uma multiplicidade de possibilidades para garantir uma certa variedade e complementaridade na alimentação humana, exigível para garantir a resiliência das comunidades.
O artigo foi publicado no último volume da revista Environmental Archaeology.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
InBio: Rede nacional de investigação para a biodiversidade
Notícia do jornal Público
Criada rede nacional de investigação para a biodiversidade com 300 cientistas
17.06.2011
Helena Geraldes
Preencher os espaços em branco sobre a natureza em Portugal e dar apoio científico às políticas públicas é o grande objectivo do InBio, rede que reúne 300 investigadores de 20 nacionalidades e um dos novos Laboratórios Associados do Estado.
O lobo ibérico poderá vir a ser um dos primeiros a beneficiar do InBio - Rede de Investigação em Biodiversidade e Biologia Evolutiva que, durante oito anos, foi apenas uma ideia e que este ano recebeu luz verde do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior como novo Laboratório Associado. A estratégia de conservação do lobo, espécie classificada Em Perigo de acordo com o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, precisa de “uma revisão” e de “informação mais consistente”, avançou ao PÚBLICO Tito Rosa, presidente do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), organismo estatal que, a 23 de Janeiro, assinou um protocolo de cooperação com os investigadores.
“Cada vez temos menos capacidade para produzir conhecimento, na luta do dia-a-dia para o cumprimento da regulamentação”, comentou o responsável, acrescentando que esta parceria é uma “mais-valia e uma forma de garantir uma intervenção mais correcta, conhecendo melhor os problemas”.
O InBio promove o trabalho em conjunto dos 300 investigadores, 110 dos quais doutorados, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO) da Universidade do Porto – instituição que apresentou a candidatura – e do Centro de Ecologia Aplicada Professor Baeta Neves, do Instituto Superior de Agronomia (ISA). A estrutura está aberta à participação de outras instituições.
“O nosso grande objectivo é auxiliar o Estado na política pública da biodiversidade, através daquilo que fazemos de melhor em Portugal a nível de investigação”, comentou Nuno Ferrand de Almeida, director do CIBIO.
Para Francisco Rego, coordenador do Centro de Ecologia Aplicada, trata-se de “capitalizar todo o investimento em Ciência que se fez nos últimos 20 anos e que ainda não está suficientemente utilizado”. E, segundo Ferrand de Almeida, “as equipas [de investigadores] estão muito motivadas”.
Entre os primeiros passos desta rede está a participação na revisão da Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e na elaboração de pareceres técnicos-científicos, a partilha de dados para reforçar o conhecimento sobre espécies e habitats, bem como acções de formação e a troca de experiências entre funcionários do ICNB e investigadores do InBio, através de um programa de Residências.
Para já, o InBio vai apostar na promoção da investigação da biodiversidade tropical, no estudo da evolução das espécies na Península Ibérica ao longo dos últimos 20 mil anos e na promoção dos recursos genéticos dos animais e plantas domésticos.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Curso em Osteologia Humana

O Departamento de Arqueologia da Universidade de Sheffield organizará no próximo dia 15 de Setembro uma Jornada de Introdução à Osteologia Humana. A inscrição pode ser efectuada aqui.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Climate, cultivation and early crops: late Pleistocene and early Holocene socioecological changes in the eastern Mediterranean
Vai ter lugar em Vitória a seguinte conferência:
Climate, cultivation and early crops: late Pleistocene and early Holocene socioecological changes in the eastern Mediterranean
Dr. Sue Colledge. Institute of Archaeology. University C. London
Lugar: Salón de Grados, Facultad de Letras. UPV/EHU.
Dia e Hora: Viernes, 10 de junio, 12.00 h.
The coincidence of climatic amelioration or degradation in the late Pleistocene/early Holocene of SW Asia (i.e., from c.15,000 to 10,500 cal BP) with the origins of organized food procurement and production cannot be overlooked, whether or not these events were the major impetus for change during this period. Archaeological evidence for the same period is well established; there are clear diachronic trends in settlement (e.g., most notably site size increase) and material culture traits that represent profound changes in social systems. For example, from the late Epipalaeolithic to the Pre-Pottery Neolithic A (PPNA) the region witnessed the appearance of complex hunter-gatherers, the founding of the first permanently settled villages and the initiation of crop-based agriculture.
Archaeobotanical evidence from late Epipalaeolithic and PPNA sites in SW Asia is sparse. Very few sites dated prior to c.10,500 cal BP have large and diverse assemblages of plant remains that can be used to construct datasets for testing climate-based hypotheses of agricultural origins. However, at a small number of tell sites situated in the Euphrates Valley in northern Syria charred plant materials are preserved in quantities that have allowed detailed investigation of changes in emphasis of plant food exploitation, which may indicate deliberate management, or cultivation, of wild crops.
The nature of the processes by which the economic and cultural elements regarded as Neolithic subsequently spread beyond SW Asia continues to be the subject of much debate. An important set of data that has hitherto been largely absent from this debate is the preserved crops and associated weeds of the earliest farmers. These data have hitherto rarely been collated or analysed in a systematic manner on a large spatial scale, which is essential for understanding the chronological framework for the evolution of the earliest domestic crops (i.e., the ‘founder crops’) and the initial dispersals from their location/s of origin.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
A evolução dos tentilhões de Darwin
A EVOLUÇÃO DOS TENTILHÕES DE DARWIN
São oradores dois dos mais emblemáticos investigadores da actualidade sobre Evolução:
Peter Raymond Grant e Barbara Rosemary Grant
Esta conferência realiza-se no âmbito da iniciativa Casual Conferences, organizada em parceria pela Fundação de Serralves e o CIBIO - Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos - Unidade de I&D em Ciências Biológicas, acolhida pela Universidade do Porto.
Podem encontrar mais informações aqui.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Eventos do CIAS

No âmbito do Ciclo de Conferências do CIAS, realizar-se-á no dia 15 de Junho de 2011, no Departamento de Ciências da Vida (Antropologia - Anfiteatro I), Universidade de Coimbra, a seguinte conferência (cartaz em anexo):
Human skeletal variation: neutral evolution, climatic selection and ....
A oradora é Lia Betti da Universidade de Kent.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
"Espaços e Arquitecturas em Tell Beydar", um projecto internacional com participação portuguesa

(imagem retirada do site oficial - aqui)
Tell Beydar localiza-se em território Sírio, próximo da fronteira com o Iraque. Este sítio arqueológico corresponde à cidade de Nabada, fundada no III milénio a.C. período no qual surgiram as primeiras cidades no Norte da Mesopotâmia. Esta localidade foi abandonada no final do III milénio e reocupada posteriormente.
A participação portuguesa conta com uma página na internet (ver aqui) onde é feita uma descrição pormenorizada do projecto e são apresentados os resultados até agora obtidos.
A missão portuguesa incide essencialmente sobre as ruínas do período helenístico, após a conquista de Alexandre.
O sítio da internet salienta principalmente o estudo dos materiais cerâmicos, estudo esse de grande relevância, tendo em conta a escassez de abordagens adequadas a estes materiais helenisticos ao longo dos últimos dez anos de investigação na jazida. Ainda assim, tendo contactado a arqueóloga responsável pela equipa portuguesa, fui informado que a equipa internacional garante uma abordagem interdisciplinar que inclui não só os estudos dos artefactos, como também estudos de arquitectura e estudos paleoambientais.
Este projecto é um bom exemplo de cooperação internacional. Este tipo de cooperação é determinante para o crescimento da Arqueologia portuguesa e para a sua projecção internacional, valorizando os nossos investigadores e as nossas universidades.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Gruta de Contrebandiers (Marrocos) um exemplo notável de Arqueologia africana, com uma contribuição portuguesa
No último congresso do JIA, realizado em Faro, foi feita uma apresentação que permitiu compreender a importância do trabalho aí realizado e o papel determinante de uma abordagem interdisciplinar para a compreensão da jazida. Fica aqui o resumo:
"Entre o Atlântico e o Deserto: estratigrafia e processos de formação do registo arqueológico na Gruta de Contrebandiers em Marrocos.
Integrada na costa Atlântica junto da capital de Rabat, a gruta dos Contrebandiers é considerada uma das mais relevantes jazidas paleolíticas em Marrocos. Tendo sido alvo de várias intervenções arqueológicas, a sequência sedimentar preservada incorpora indústrias atribuíveis ao Epipaleolítico e ao Paleolítico médio (nomeadamente indústrias Aterienses e indústrias atribuíveis ao Mousteriense Marroquino). Apesar do seu reconhecimento arqueológico, diversas questões relativas à integridade dos conjuntos artefactuais, quais os processos subjacentes à formação da sequência sedimentar, ou qual o seu enquadramento paleoambiental continuam em aberto. Aliando primordialmente descrições litoestratigráficas e observações micromorfológicas, o estudo aqui apresentado tenta responder directamente a estas questões.
A arquitectura estratigráfica da Gruta dos Contrebandiers é caracterizada por uma sequência regressiva, com a deposição, nos níveis basais da cavidade, de sedimentos marinhos localmente remobilizados. A incorporação de elementos antropogénicos, testemunhando a primeira ocupação humana da gruta, encontra-se associada com um ambiente de destabilização dos solos exteriores e com condições climáticas de maior pluviosidade. A sequência estratigráfica subjacente é relativamente homogénea em termos litológicos, caracterizando-se por uma constante interacção de elementos geogénicos (associados com a desagregação do tecto/paredes da cavidade, e a incorporação de sedimentos externos), com unidades distinguíveis pelo maior contributo de sedimentos antropogénicos. Não obstante a presença de relevantes processos tafonómicos (nomeadamente bioturbação e processos de fosfatização), a maioria dos conjuntos artefactuais atribuíveis ao Paleolítico médio encontraram-se relativamente bem preservados. Pelo contrário, as unidades associadas aos níveis Epipaleolíticos encontram-se em posição secundária – asserção que é também comprovada pelo quadro de datações obtidas para estes níveis."
terça-feira, 17 de maio de 2011
Introdução à Antropologia Biológica

Em mais uma acção formativa, a Terra Firme irá organizar um ciclo dedicado à Antropologia Biológica. Esta acção visa a introdução a esta área de investigação. Está especialmente vocacionada para estudantes que pretendam um primeiro contacto com a disciplina e para profissionais na área da arqueologia que frequentemente colaboram com bioantropólogos no terreno e pretendam assim melhorar os seus conhecimentos relativos a esta disciplina.
A formação terá lugar no Museu Monográfico de Conímbriga entre 27 e 28 de Maio deste ano e as inscrições podem ser concretizadas no site da Terra Firme.
Marfim nos Perdigões, agricultura em Marrocos: que tal se nos lembrássemos de África?
Valera, António Carlos (2010), "Marfim no recinto calcolítico dos Perdigões (1): "Lúnukas, fragmentação e ontologia dos artefactos", Apontamentos de Arqueologia e Património, 5, Lisboa, NIA-ERA Arqueologia, p. 31-42.
A recolha de marfim, assim como de ovos de avestruz em território ibérico é uma prova do contacto - directo ou indirecto? - das comunidades pré-históricas com o continente africano. Na verdade, podemos questionar o quanto beneficiaríamos de um conhecimento mais aprofundado da realidade arqueológica norte africana.
No que respeita à Arqueobotânica, um estudo de base etnoarqueológica tem incidido sobre a realidade marroquina actual, como forma de aportar novos conhecimentos acerca de práticas agrícolas neolíticas. Um texto de Leonor Peña-Chocarro et al. (2009) com resultados muito interessantes está disponível aqui.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Arqueologia e Identidade: Problemáticas de uma ciência interdisciplinar

Já está disponível o programa do ciclo de conferências "Arqueologia e Identidade: Problemáticas de uma ciência interdisciplinar" organizado pelo NAUP. Irá realizar-se na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, nos próximos dias 24, 25 e 26 de Maio.
Para mais mais informações, consultem o blogue do evento, aqui.
sábado, 7 de maio de 2011
Pré-história das zonas húmidas - exploração de sal
O programa e outras informações adicionais podem ser consultados aqui.
Um dos temas mais focados nestas conferências é o da exploração de sal durante a Pré-história. Trata-se de um tema deveras interessante, tendo em conta o papel que o sal tem, hoje em dia, na alimentação humana. No passado tive oportunidade de co-dirigir trabalhos de escavação em um local direccionado para a exploração de sal - Monte da Quinta 2 - que constituiu um grande desafio, pelas suas especificidades e pelo amplo desconhecimento que se tinha deste tipo de sitios (podem descarregar aqui um artigo acerca da jazida).
terça-feira, 26 de abril de 2011
"Antes de Cristo" ou "Antes na Nossa Era"
"Optou ‑se neste trabalho pela denominação de “antes da nossa Era” (a.n.e.) e “Era comum”ou “Era corrente” (e.c.), ao invés da antiga designação a.C. (antes de Cristo) e d.C. (depois de Cristo), visando uma perspectiva laica e menos comprometida culturalmente, também assumida por outros autores"
Num outro blogue (ver Aqui) podemos ver uma outra abordagem acerca do tema. Aconselho os leitores a seguirem os links que a autora disponibiliza, lerem os diversos posts e comentários pois existem algumas ideias interessantes.
Normalmente a discussão coloca-se nestes termos: um modelo cronológico de base religiosa ou laica? Mas, "antes da nossa era" é verdadeiramente laico? AC/DC deve ser usado só porque é o mais usado há mais tempo?
A minha opinião vou deixar num comentário a este post.
terça-feira, 19 de abril de 2011
Territórios de Fronteira

Irá decorrer no próximo dia 4 de Maio a nova edição do ciclo de conferências Territórios de Fronteira. Este evento é co-organizado pelo Grupo de Estudos em Evolução Humana (GEEvH), pelo Núcleo de Arqueologia e Paleoecologia da Universidade do Algarve (NAP) e pelo Museu Nacional de Arqueologia. Será neste último que o ciclo terá lugar.
Os conferencistas convidados são Silvério Figueiredo (Instituto Politécnico de Tomar), Cláudia Sousa (Universidade Nova de Lisboa) e Luís Rios (Universidade Autónoma de Madrid).
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Nova visão sobre o megalitismo português: os enterramentos infantis
Pode ser descarregado aqui.
WATERMAN, A. J. and THOMAS, J. T. (2011), WHEN THE BOUGH BREAKS: CHILDHOOD MORTALITY AND BURIAL PRACTICE IN LATE NEOLITHIC ATLANTIC EUROPE. Oxford Journal of Archaeology, 30: 165–183. doi: 10.1111/j.1468-0092.2011.00363.x
Towards the end of the fifth millennium BC, a new funerary tradition developed in Iberia and elsewhere in Atlantic Europe involving the use of megalithic tombs and natural or artificially constructed caves for the collective burial of the dead. Ancestor worship has been the most common theoretical framework used to explain this Neolithic burial tradition, despite demographic information which indicates that these burials house the remains of a significant percentage of children and adolescents. Using data from Late Neolithic (3500–2500 BC) tombs in south-western Iberia as a departure point, in this paper we suggest that by reconsidering the impact that childhood mortality had upon burial and grave visitation practices in Neolithic communities, archaeologists can gain valuable phenomenological information which will allow for a more robust, multivocal interpretative approach.
domingo, 3 de abril de 2011
U. Bournemouth: Paleoantropologia
terça-feira, 29 de março de 2011
PhD program in Poland
PhD Program
The Eastern Mediterranean from the 4th c. BC until late antiquity
Multidisciplinary PhD program run by the Institute of History, University of Wroclaw with the School of Archaeology, Classics and Egyptology, University of Liverpool, financed by the European Union
Scholarship from 3000 PLN to 4500 PLN (ca. €750 to €1125).
Eight major research themes :
1. Achaemenid empire, Alexander the Great and aftermath
2. War and the Greeks
3. Eastern Mediterranean and the coming of Rome
4. Economy in the Hellenistic and Roman East
5. Politics, literature and imaging in Hellenistic and Roman period
6. Religion
7. Family and society in Sparta
8. Meals, luxury and society
Deadline for applications: 5 June 2011
To learn more: www.mediterraneanstudies.co
sexta-feira, 25 de março de 2011
Conferência em Zoo-Arqueogenética

Irá decorrer no próximo dia 14 de Abril a palestra "Estudo zoo-arqueogenético de bovinos e cães ibéricos e dos seus ancestrais selvagens". Esta terá lugar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa às 10:30. As conferencistas são Catarina Ginja e Ana Elisabete Pires do Instituto Nacional de Recursos Biológicos e do Centro de Biologia Ambiental (FCUL).
O principal objectivo da investigação agora apresentada consiste em compreender as origens e trajectórias evolutivas das espécies de bovinos e cães, assim como dos seus ancestrais selvagens – o auroque e o lobo Ibérico.
segunda-feira, 21 de março de 2011
Oliveira (Olea europaea L.)
Este artigo do Publico relata um interessante (e infelizmente raro) episódio dum empresário Português que soube apostar na investigacao científica. E resultou num metodo inovador para datar oliveiras antigas. A oliveira (Olea europaea L.) fazia parte do pacote original de especies incluído na horticultura inicial praticada pela humanidade no Próximo Oriente. As outras especies incluidas neste primeiro ímpeto de domesticação de árvores ou plantas de jardim foram a figueira, tamareira e a vinha (Zohary and Hopf, 2000). O fruto (azeitona) conserva-se bem e pode ser consumido o ano todo, tradicionalmente com pão. O azeite servia como alimento, como unguento e base para perfumes e como fonte de iluminação em candeias. A sua fácil conservação por períodos longos de tempo permitia um comércio de longa distância.

A oliveira é uma árvore de fruto extremamente resistente e bem adaptada ao clima Mediterrânico. De tal forma que
a sua presença é considerada como um indicador dos limites do bioma Mediterrânico. A frutificação inicia-se cerca de 5 anos após a plantação e se for bem tratada uma oliveira pode produzir frutos durante séculos e atingir idades superiores a 1500 anos. Essa antiguidade fonte de admiracao e veneracao populares em muitas localidades.
Várias evidências sugerem que a oliveira (O. europea var. europaea) foi domesticada a partir da oliveira-brava (O. europea var. sylvestris ou O. europaea subsp. oleaster), por vezes designada genericamente de ‘zambujeiro’. Estas duas sub-espécies são as únicas nativas do Mediterrâneo. Existem outras sub-espécies no complexo Olea que apesar de terem uma distribuição geográfica afastada do Mediterrâneo são inter-fertéis com a oliveira e poderão ter contribuído para a diversidade genética da árvore cultivada: 1) O. europaea subsp. maroccana (no sul de Marrocos), 2) O. europaea subsp. laperrinei (nas montanhas do Sahara); 3) O. europaea subsp. cerasiformis (presente apenas no arquipélago da Madeira); 4) O. europaea subsp. guanchica (nas ilhas Canárias) e 5) O. europaea subsp. cuspidata (com uma dsitribuição mais alargada da África até à China passando pelo Médio Oriente) (Besnard e tal. 2002).
O. europaea var. cerasiformis
A oliveira-brava reproduz-se por polinização cruzada (auto-inco
mpatibilidade) e por semente sendo os seus frutos são geralmente mais pequenos do que as da oliveira. Já a oliveira domesticada reproduz-se apenas por propagação vegetativa podendo reverter ao estado selvagem se for propagada por semente (Zohary and Hopf, 2000). Tal facto não impediu o aparecimento de diversidade genética observável nas centenas de variedades de oliveira existentes e que mostram variação na forma, tamanho e conteúdo oleaginoso da azeitona. Estas terão aparecido através de cruzamentos espontâneos com oliveiras-bravas ou induzidos em “campos experimentais” seguido da propagação vegetativa de variedades com características desejadas (Bertin et al. 2001).
Os primeiros vestígios arqueobotânicos de oliveira remontam a sítios Calcolíticos em Israel e no Jordão (curiosamente fora do limite actual de presença de oliveira-brava), mas só na Idade do Bronze esta especie aparece em Creta e na Grécia (Zohary and Hopf, 2000). O cultivo de oliveira e a produção de azeite terão sido introduzidos na Península Ibérica apenas no 1º milénio BCE, provavelmente pelos Fenícios (Sallares, 2007). Os primeiros vestígios de azeitona e produção de azeite na Península Ibérica surgem em níveis Fenícios de Cerro de Villar, Málaga, e Castillo de Doña Blanca, perto de Cadiz (Buxó, 2008).
Caroços de azeitona do sitio Calcolítico de Tuleilat Ghassul, Jordão (Zohary & Hopf, 2000).
Estudos de biodiversidade utilizando DNA antigo (Elbaum et al 2006), aspectos morfológicos (Terral et al. 2004), variação em marcadores genéticos no genoma nuclear (Belaj et al. 2002) e no do cloroplasto (Besnard et al. 2002) parecem apontar diferenças entre as oliveiras no Mediterrâneo Ocidental e as do Mediterrâneo Central e Oriental. É incerto se isto se deve a uma introdução diferencial da espécie ou ao facto de a Península Ibérica e os Balcãs terem servido como refúgios a oliveiras-bravas durante a última glaciação. As oliveiras-bravas destas duas regiões serão portanto geneticamente distintas devido ao isolamento geográfico e ao cruzarem-se com as oliveiras cultivadas podem ter dado origem a oliveiras geneticamente diferentes.
A oliveira esteve presente desde cedo na cultura popular de toda a bacia Mediterrânea como é evidente em histórias bíblicas (a pomba da paz trazia no bico um ramo de oliveira, o jardim das oliveiras onde Jesus passa a última noite, etc) e em lendas greco-romanas (normalmente associada a Atena/Minerva e ao conhecimento da agricultura). Dos árabes herdamos o termo “azeite” (al-zait) e a oliveira e o seu produto é presença frequente em músicas populares (“Ó Oliveira da Serra”), na toponímia (freguesia dos Olivais, Lisboa), na antroponímia (família “Oliveira”) e em ditados populares ("Azeite, vinho e amigo, melhor o antigo"). São estes provérbios que por vezes oferecem pistas quanto ao seu cultivo (“Oliveira do meu avô, figueira de meu pai e vinha a quem eu puser”; “Quem azeite colhe antes do Natal, azeite deixa no olival”; “Encosta soalheira, planta-lhe oliveira”; “Olival que bem parece, devagar cresce”).
E recomendo a toda a gente uma visita a Trás-os-Montes pouco antes do Natal para participar na apanha da azeitona, vergastando a árvore com uma vara até os frutos caírem todos numa rede (bolhas nas mãos e bom azeite garantidos).
quinta-feira, 17 de março de 2011
Bioarqueologia: Workshop de Verão
O workshop destina-se a estudantes de antropologia e arqueologia e será ministrado por Estelle Herrscher (PhD, CNRS/Université d'Aix-en-Provence), Olivie Dutour (PhD, École Pratiques des Hautes Etudes/University of Toronto) e Stephan Naji (PhD, Université de Bordeaux). Os idiomas serão o francÊs e o inglês.
Aqui fica o contacto para acesso ao programa ou para colocar questões relacionadas com o workshop:
Estelle Herrscher
herrscher@mmsh.univ-aix.fr

