quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Environmental Archaeology: Early agriculture in uncertain climates
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Cinco milhões de livros digitalizados para decifrar “genoma” cultural
Como seria impossível ler todos os livros existentes no mundo, a equipa recolheu uma amostra de cinco milhões de obras e socorreu-se das novas tecnologias, como o Google.
Concluíram que o Inglês cria cerca de 8.500 novas palavras todos os anos, apesar de muitas não serem imediatamente assumidas nos dicionários.
Outra conclusão é que, a cada ano que passa, a Humanidade esquece o seu passado de forma mais célere.
Como exemplo, indicam que as referências a 1880 perduraram até 1912, durante 32 anos. Já as referências a 1973 desapareceram, em média, dez anos depois.
Contudo, as novas descobertas divulgam-se agora mais rapidamente que nunca. Os cientistas asseguram que no final do século XIX as novidades eram difundidas duas vezes mais depressa do que em 1800.
Em relação à notoriedade alcançada por personalidades, os investigadores descobriram que se tem tornado mais óbvia mas também mais efémera. As celebridades nascidas em 1950 atingiam a fama, em média, aos 29 anos. No início do século XIX, a média era de 43 anos."
Ver noticia aqui.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Archéologie environnementale de la France
Grâce au développement considérable des fouilles archéologiques préventives mais aussi au raffinement des techniques d'analyse, l'archéologie environnementale connaît un essor sans précédent. La compréhension des environnements du passé, de leur évolution, des impacts qu'ils ont subis et de la réaction du vivant (végétaux, animaux, humains) constitue un élément de réflexion fort pour le présent et l’avenir de l’humanité. Depuis l'apparition de l'homme et, surtout, depuis les débuts de l'agriculture, les sociétés humaines ont significativement modifié leurs écosystèmes et les cycles du vivant.
Plus récemment, elles ont commencé à altérer l'environnement global de la planète à une échelle encore inconnue jusque-là. Le développement, à partir des années 1970, des études paléoenvironnementales en archéologie par des chercheurs de plus en plus nombreux permet aujourd'hui de proposer de nombreux scénarios, passés comme futurs. Ainsi, l'archéologie environnementale a une double fonction. Elle contribue à une meilleure connaissance de l'évolution de l'homme et des sociétés et prend part à l'évaluation, à la prospective et à la prise de décision concernant l'avenir de notre planète, par son approche historique des dynamiques socioenvironnementales.
Fondé sur des analyses réalisées le plus souvent dans le cadre de l'archéologie préventive, cet ouvrage présente les différentes disciplines environnementales et les résultats les plus significatifs obtenus ces dernières années.
domingo, 12 de dezembro de 2010
Conferência MNA/GEEvH/NAP

Relembra-se aqui a próxima conferência MNA/GEEvH/NAP que terá lugar no dia 14 de Dezembro às 18 horas no Museu Nacional de Arqueologia. O orador é Vítor Matos, recém-doutorado pela Universidade de Coimbra e investigador do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde. A comunicação intitula-se "O arquivo clínico da última leprosaria portuguesa (Hospital-colónia Rovisco Pais) e a sua importância para a paleopatologia da lepra".
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Neanderthal-dooby-doo, where are you?
Apesar de ter ocupado e explorado uma área extensíssima que compreende grande parte do território europeu e algumas das regiões mais ocidentais da Ásia, este tão bem-sucedido hominídeo acabou, como tantos outros antes dele, por definhar e deixar menos frondosa a árvore referente à linhagem humana. A sua sobrevivência resume-se hoje a uma pequena participação no nosso património genético actual, cuja expressão fenotípica aparenta ser de tal forma diminuta que apenas a sequenciação do ADN nuclear foi capaz de a confirmar sem margem para dúvidas. A Península Ibérica tem sido apontada como local do último reduto Neandertal, inferência feita essencialmente a partir da cultura material que a arqueologia tem apresentado ao Mundo. Porém, por comparação com os achados humanos descobertos em Espanha, o nosso próprio pecúlio tem sido reduzido e algo desapontante. Resume-se a um punhado de dentes e ossos desarticulados, sendo que os mais recentes achados têm a Gruta da Oliveira (Torres Novas) como proveniência. Dada a escassez de restos humanos encontrados neste rectângulo à beira-mar plantado, é legítimo questionar a que razão ou razões se deve este cenário e o que podemos fazer para o alterar. Questionámos alguns dos especialistas nacionais acerca desta questão e apresentamos aqui as suas perspectivas em discurso directo.
Para João Zilhão – Professor em Arqueologia Paleolítica na Universidade de Bristol – a causa para este cenário é clara. Encontrei restos humanos em todas as jazidas que escavei, incluindo as do Paleolítico Médio. Se há menos em Portugal do que noutros lados a razão é simples: é que em Portugal se escava muitíssimo menos. Não há menos restos, há menos escavações.
Esta visão é em parte partilhada pelo Director do Museu Nacional de Arqueologia, Luís Raposo. Poderá ser a pouca investigação (escavação) moderna, especialmente em grutas, já que em sítios de ar livre é mais raro encontrar fósseis humanos, aqui ou noutros países. Porém, Raposo acredita que esse não é o único factor explicativo. A verdade é que não foi ainda encontrada em Portugal nenhuma gruta com uma ampla ocupação do Paleolítico Médio. Pelo contrário, ocorre que em quase todas as grutas onde se registaram presenças do Paleolítico Médio estas são muito discretas, quase vestigiais, mesmo quando nos níveis superiores existem densas ocupações do Paleolítico Superior. A única excepção poderá ser a Gruta Nova da Columbeira, que possui uma ocupação intensa do Paleolítico Médio e uma ausência de vestígios do Paleolítico Superior, devida talvez à circunstância de a cavidade ser já infrequentável pelo homem nessa fase. Foi aqui que se recolheu o mais antigo resto neandertalense descoberto em Portugal, mas apenas um fragmento de dente, quando a fauna é abundante. Terão os métodos de escavação usados deixado passar outros vestígios? Não sei.
Luís Raposo tende a considerar que este padrão de menor ocupação das grutas durante o Paleolítico Médio nesta Finisterra portuguesa é real e já o procurou explicar através de padrões de ocupação do território [cf., por exemplo, RAPOSO, L. (1995) - “Ambientes, territorios y subsistencia en el Paleolítico Medio de Portugal”, Complutum, nº. 6, Madrid, pp. 57-77].
Também as condições climáticas gerais poderiam ir no mesmo sentido. A ideia do homem de Neandertal como um “bruto troglodita” é totalmente errónea. Nem eram assim desprovidos de capacidades intelectuais, nem tinham gosto especial por habitar em cavernas. Ora, numa região em que o clima nunca tivesse atingido os rigores glaciários da Europa mais setentrional, é fácil pensar que os bandos de Neandertais ocupariam preferencialmente os vales dos rios e os maciços periféricos a baixa altitude, vivendo principalmente em acampamentos de ar livre e sendo por isso mais “invisíveis” hoje no registo arqueológico. Admito também que, ainda por cima, fossem menos, quer dizer que houvesse uma menor densidade populacional, mas quanto a isso apenas podemos por agora ter “impressões”.
Nuno Bicho, professor na Universidade do Algarve afirma que a questão é interessante e muito relevante no estudo da Pré-história portuguesa e, infelizmente, aplica-se também a outros momentos da Pré-história Antiga, como é o caso do Paleolítico Inferior. Na sua perspectiva, parece haver um conjunto alargado de factores limitadores do número e qualidade de sítios arqueológicos do Paleolítico Médio em Portugal. Provavelmente, há quatro factores principais: o reduzido número de investigadores em Paleolítico e especificamente em Paleolítico Médio; o deficiente treino e ensino em Paleolítico e em análise de indústria líticas; a falta de trabalho de prospecção dedicada ao Paleolítico; e o contexto da geologia e da geomorfologia.
De facto, no âmbito académico há apenas, neste momento três docentes universitários (nas Universidades do Minho, Lisboa e Algarve) que se especializaram e que fazem investigação continuada nesse período. O resultado prático é que o número de alunos que se interessam por Paleolítico é reduzido nos cursos de licenciatura de Arqueologia e, naturalmente, por razões demográficas, diminui sensivelmente conforme se avança no grau académico. Apesar de tudo, temos um conjunto de recém-doutorados e de doutorandos apreciável em Paleolítico, atendendo ao número total de alunos de Arqueologia. Mas também é verdade que o número de alunos que trabalha em Paleolítico Médio é reduzido – tomando a Universidade do Algarve como exemplo (talvez como referência?), existem neste momento 12 doutorandos, dos quais 8 trabalham em Paleolítico (ainda que nem todos tenham esse período como foco da sua tese) e desses 8 não há nenhum a trabalhar em Paleolítico Médio. Do conjunto de investigadores da Universidade do Algarve, eu incluído, há cerca de uma dúzia de pessoas a trabalhar em Paleolítico, e apenas duas trabalham directamente, ainda que não exclusivamente, com Paleolítico Médio.
Para Nuno Bicho, o ensino de matérias relacionadas com o Paleolítico, bem como de especialidades fundamentais no seu estudo como é a geoarqueologia, a arqueometria e a zooarqueologia, é claramente deficiente na maior parte das universidade portuguesas, principalmente no caso das licenciaturas. Unidades curriculares (para aqueles que estão afastados dos estudos superiores há algum tempo, este termo significa “disciplinas”) dedicadas a análise de materiais líticos são raríssimas em Portugal e, claro, se um aluno não souber reconhecer artefactos líticos talhados, muito dificilmente irá encontrar sítios arqueológicos da Pré-história antiga.
O terceiro factor é o do tópico da investigação – raramente em Portugal aparecem projectos de investigação dedicados inteiramente à prospecção arqueológica e, claro, menos ainda dedicados ao Paleolítico. O resultado é que os poucos sítios Paleolíticos que se encontram hoje são revelados acidentalmente ou através de estudos de impacto. Como um grande número de arqueólogos não tem a preparação suficiente para reconhecer artefactos líticos paleolíticos, estes sítios não são encontrados.
Contudo, parece que apesar de todos estes factores condicionantes, deveria haver mais sítios arqueológicos. A verdade é que nos últimos 20 anos, o número de sítios arqueológicos do Paleolítico Superior verdadeiramente importante cresceu exponencialmente (Cabeço do Porto Marinho, Lagar Velho, Vale Boi, Picareiro, Coelhos, Anecrial), o que não aconteceu relativamente ao Paleolítico Médio – de facto, com a excepção dos trabalhos de João Zilhão no Complexo Arqueológico do Almonda, especialmente na Gruta da Oliveira e, mais recentemente, o de Jonathan Haws em Mira Nascente (ainda que com outra dimensão), não houve outros sítios novos de Paleolítico Médio verdadeiramente relevantes. Esta falta de sítios do Paleolítico Médio deve-se muito provavelmente às condições geológicas das jazidas com esta cronologia. É possível que se encontrem soterradas por baixo de coluviões mais recentes ou em terraços fluviais e marinhos de grande potência que dificultam a sua detecção. É também claro que em alguns pontos do país, nomeadamente o Algarve, se deu, provavelmente durante o Holocénico antigo, a erosão completa de terraços e outros depósitos do Pleistocénico Superior. E assim, perderam-se inúmeros sítios arqueológicos datados do Paleolítico Médio.
Em relação aos factores geológicos, seria talvez interessante fazer um levantamento completo e sistemático das condições de jazida de todos os sítios arqueológicos do Paleolítico Médio de forma a, e com base nesse estudo, desenvolver padrões preditivos de localização de jazidas Moustierenses. Este trabalho foi feito para o Paleolítico em geral para o vale do Sado por uma equipa canadiana, com base nos dados de um projecto meu de prospecção paleolítica para o Algarve. Naturalmente, foram encontrados um conjunto razoável de sítios arqueológicos, nomeadamente alguns do Paleolítico Médio e que, espera-se, sejam aceites para publicação em breve.
Aqui ficaram os relatos de três especialistas nacionais, a quem muito agradecemos a sua colaboração. Do seu discurso resulta a ideia que ainda muito há a fazer para colmatar algumas das lacunas que o nosso registo arqueológico apresenta em relação a achados humanos. Porém, também fica a ideia que esse registo irá ser gradualmente enriquecido por novas descobertas à medida que o investimento em investigação, recursos materiais e recursos humanos for aumentando. Aqui estaremos para dar conta desses novos achados.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
TSF/IGESPAR: As hortas monásticas: Santa Clara-a-Velha
Dois dos relatórios do CIPA referentes aos trabalhos realizados com amostras recolhidas em Santa Clara-a-Velha encontram-se disponíveis aqui (Trabalhos do CIPA 97, parte 1), aqui (Trabalhos do CIPA 97, parte 2) e aqui (Trabalhos do Cipa 108). São trabalhos muito ricos em informação, justificando assim o título do programa de rádio que irá para o ar hoje ou amanhã (os sites da TSF e do IGESPAR apresentam datas diferentes) e que, posteriormente poderá ser ouvido no site da TSF ou seguindo o link do site do IGESPAR.
Eis a apresentação do programa como disponível no site do IGESPAR:
“As hortas monásticas: Santa Clara-a-Velha”
A vida quotidiana dos Mosteiros é geralmente uma temática menos explorada face ao conhecimento desenvolvido em torno dos seus aspectos artísticos. Porém, a implementação de programas interdisciplinares permitem aprofundar a informação sobre estes locais, nomeadamente através das arqueociências que nos devolvem um olhar mais completo sobre os locais. Foi precisamente o que se passou no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, passando-se a conhecer um pouco melhor os seus hábitos alimentares ou a produção que se fazia nas hortas, por exemplo. O actual projecto da “horta monástica de Santa Clara-a-Velha” visa precisamente articular o conhecimento desse passado com as actuais preocupações de natureza ambiental e de sustentabilidade. Estas são algumas das questões a explorar pelo jornalista Manuel Vilas – Boas que conversa com o Professor Saul Gomes Mendes, os Drs Artur Corte Real e Lígia Gambini e a Engª Elsa Canavarro.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
JIA 2010
"As IV Jornadas de Jovens em Investigação Arqueológica - JIA 2011 – são um evento científico realizado por e para investigadores (não doutorados) em Arqueologia, que irá realizar-se de 11 a 14 de Maio de 2011, no Campus Gambelas da Universidade do Algarve (www.jia2011.com). Neste sentido, irá ser proposta uma sessão sob o tema:
'Novas abordagens em arqueologia: tecnologias digitais e metodologias computacionais'.
Os objectivos desta sessão consistem em debater tecnologias inovadoras que nos ajudem a investigar, compreender e visualizar a dinâmica de padrões socioculturais através dos tempos, bem como representar o património cultural; partilhar novas perspectivas sobre métodos computacionais aplicados à arqueologia; e incentivar o diálogo entre os participantes sobre as questões teórico-metodológicas inerentes.
Esta sessão não se encontra dirigida a nenhuma área de estudo ou período cronológico/cultural específicos, de modo a permitir a contribuição de um maior número de participantes.
Desta forma, procuramos contribuições que avancem o estado da arte das tecnologias e metodologias disponíveis, que contribuam para a resolução de questões arqueológicas específicas, nomeadamente:
•Simulação arqueológica e modelos preditivos;
•Modelos baseados em agentes;
•Inteligência artificial;
•Captura 2/3/4D (fotogrametria, laser, luz branca estruturada), processamento e análise digital de dados;
•Morfometría geométrica;
•Métodos quantitativos;
•Visualização, colecções digitais e representação virtual do património.
Aos interessados em participar nesta sessão, pedimos que nos enviem o respectivo tema de comunicação e contactos (nome, instituição, email, telefone) para veramoitinho@gmail.com até 30 de Novembro, de maneira a incluir na proposta a enviar à comissão organizadora do JIA.
Gratas pela atenção,
Vera Moitinho de Almeida
(Universitat Autònoma de Barcelona)
Florencia del Castillo
(Universitat Autònoma de Barcelona)"