sábado, 4 de setembro de 2010

Vaga em Antropologia Biológica na NYU

A Universidade de Nova York abriu concurso para um lugar de docente em Antropologia Biológica no Departamento de Antropologia. O prazo para as candidaturas termina a 15 de Novembro e os detalhes podem ser consultados aqui.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

The world's oldest living things

Uma palestra de Rachel Sussman acerca de organismos vivos com idades incríveis. Desde uma árvore que tem já cerca de 80 000 anos e uma actinobacteria com 400 000 a 600 000 anos, são vários os organismos surpreendentes apresentados.

Aconselho a ver até ao fim. Descarregar aqui.

Doc: The Real Neanderthal Man

No 9º Festival Internacional do Filme Arqueológico de Bidasoa (País Basco), o documentário The Real Neanderthal Man venceu o Grande Prémio. O filme acompanha a "biografia" do holótipo do Homem de Neandertal - o esqueleto encontrado no Vale de Neander em meados do séc. XIX - enquanto fonte de conhecimento científico.

Quem quiser dar uma espreitadela ao documentário, pode fazê-lo aqui.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Alterações ambientais/Evolução ambiental

O Homem altera o Ambiente? Parece ser uma questão absurda ou de resposta óbvia, mas não é. Ingold questiona esta ideia, defendendo que o Homem não é uma agente externo à natureza. “people live not on or off the environment but within it” (apud Bell e Walker 2005). O Homem é um factor ecológico.

De facto, a realidade pode ser entendida desta forma e a crítica é pertinente pois é evidente que essa separação entre Homem e Ambiente é assumida em muitos discursos.

De qualquer forma, dizer que o “Homem altera o Ambiente” ou que uma mudança é “antropogénica” é um auxiliar de discurso importante para descrever mudanças provocadas por acções directas de um interveniente das dinâmicas ambientais, o Homem. Do mesmo modo, podemos dizer que há alterações provocadas por factores climáticos e não estamos necessariamente a implicar que o Clima seja exterior ao ambiente.


Referência:

Bell, M., Walker, M. (2005). Late Quaternary Environmental Change. Physical and Human Perspectives, Pearson/Prentice Hall.

Ou seja, dizer que o Homem altera o Ambiente não implica que consideremos o Homem um factor externo ao ambiente ainda que muitos o considerem como tal.

“Alterações ambientais” são uma “evolução ambiental” e raramente se encontra um único factor a determinar a sua tendência.

O Homem e as Alterações Ambientais: visões da arqueologia

A relação entre as sociedades humanas e as alterações ambientais é um tema que está muito em voga nos meios científicos nacionais e internacionais, tendo-se alastrado inclusive aos meios de comunicação social. Fala-se de aquecimento global, incêndios, poluição atmosférica e dos recursos aquáticos, etc.

Na arqueologia esta temática foi abordada de forma recorrente nas últimas três décadas. Hoje em dia, as alterações ambientais são apontadas como factores decisivos para o colapso de culturas e impérios na América do Sul e no Próximo-Oriente (aquecimento e secas de longa duração) e até em pleno Oceano Pacifico - os Rapa Nui na Ilha da Páscoa (desflorestação e perda de recursos).

Do ponto de vista da Arqueobotânica e da Paleoecologia é um tema muito interessante de abordar também aqui em Portugal. Basta ler os vários artigos acerca dos estudos palinológicos da Serra da Estrela e do Noroeste Alentejano. Que alterações ambientais houve? Qual o papel do Homem nessas alterações? Que reflexos essas alterações tiveram nas comunidades humanas? Como reagiram essas comunidades? São várias questões que devem ser colocadas.

Para reflexão, deixo aqui duas citações de Bell e Walker (2005), sendo provável que volte a este tema em próximas ocasiões.

"Human beings do not simply respond to natural factors as determinists assume they possess the capacity of free will and for planned long-term independent action. Environmental change may, for instance, create the opportunity, or necessity, for change in human society but not determine the character, trajectory or the timescale of that change."

"In altering the environment human communities may also make themselves susceptible to new types of environmental hazard. Thus coping strategies are also important in alleviating the effects, both short and long term, of human communities themselves."


Referência:

Bell, M., Walker, M. (2005). Late Quaternary Environmental Change. Physical and Human Perspectives, Pearson/Prentice Hall.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

I Encontro Hispano-Português de Etnobiologia

O I Encontro Hispano-Português de Etnobiologia vai decorrer entre 20 e 25 de Setembro de 2010 em Albacete, Espanha.

Vai contar com uma sessão de Arqueobotânica, Arqueozoologia e Paleoetnobotânica coordenada por Leonor Peña-Chocarro e E. Martín-Consuegra Fernández. Podem ver o programa aqui.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Ossos de cão nos concheiros de Muge

No último número da revista Journal of Archaeological Science foi publicado um artigo acerca de ossos de cão encontrados nos concheiros de Muge e que fazem parte do acervo do Museu Geológico em Lisboa.

Os autores são Cleia Detry, uma das autoras deste blogue, e João Luis Cardoso.

Segue aqui o resumo:
"The dog has a unique relationship with humans. This is demonstrated by the number of breeds that exist today and the important role that dogs play in human society. The archaeological record also shows that this relationship began long ago when groups of hunter–gatherers domesticated the wolf probably in several parts of the globe.
The dog was domesticated since at least the beginning of the Holocene some 12,000 years ago. It was also, probably, the first species to be domesticated and for reasons completely different from the other species like sheep, goat, pig and cattle – the so-called ‘food animals’ – domesticated later.
The identification of a hitherto unpublished Canis skeleton in the Geological Museum of Lisbon, Portugal, 10 years ago, originally recovered from excavations of the Muge shell-middens in 1880, provides new information about the history of early dogs here in the Iberian Peninsula. These remains are dated to the beginning of the Holocene (circa 8000 years BP).
The bones were measured and their measurements were compared with those of recent wolf skeletons from Portugal demonstrating that they were significantly smaller than wolf – strong evidence for their domestic status.
The Muge dog corroborates the record now coming to light from Mesolithic settlements in other parts of Europe and the Near East dated to the first half of the Holocene. We hope with this article to help complete the picture of the origin and distribution of domestic dog in antiquity."

Referência:
Detry, C. and J. L. Cardoso (2010). "On some remains of dog (Canis familiaris) from the Mesolithic shell-middens of Muge, Portugal." Journal of Archaeological Science 37(11): 2762-2774.
Pode ser descarregado aqui.