segunda-feira, 14 de junho de 2010

Dorian Fuller: Domesticação de espécies no Próximo-Oriente

No último congresso do IWGP Dorian Fuller fez um comunicação muito interessante intitulada “Cultivation as slow evolutionary entanglement: comparative data on the rate and sequence of domestication”. Na sua apresentação, Fuller colocou a seguinte questão: “Rates of change in domestication are different from the rates of change in natural selection?”

Aparenta ser uma questão simples, no entanto é um assunto de extrema importância quando se estuda a neolitização e o inicio das práticas agrícolas no Próximo Oriente. Afinal de contas, os primeiros cultivos eram, na verdade, à base de espécies silvestres. A selecção de sementes, ano após ano, conduziu a alterações morfológicas. São essas sementes alteradas que constituem as espécies domesticadas.

Assim, são necessárias cautelas quando fazemos deduções simples, tais como “a presença de sementes de espécies domésticas num sítio arqueológico é um indício de agricultura enquanto a presença de sementes silvestres é um indício de recolecção”. A verdade é que nas jazidas contemporâneas desta fase de transição – isto é, da fase de domesticação e alteração morfológica das sementes das espécies cultivadas – as sementes de morfologia silvestre de algumas espécies poderão, na verdade, ter origem em práticas agrícolas. Claro que isto só constitui um problema, e um desafio, nos locais de origem de domesticação. No caso dos cereais do nosso Neolítico, o Próximo-Oriente.

Fuller cita os trabalhos experimentais de Hillman e Davies (ver referências abaixo) que concluíram que a domesticação – alteração morfológica com base na selecção de sementes – demoraria entre 20 a 100 anos. No entanto, os dados da Arqueobotânica sugerem que o processo foi bastante mais lento, de 200 a 4000 anos. Isto deve-se provavelmente à continuação da recolecção e cultivo de silvestres, lado a lado com as sementes seleccionadas, permitindo a existência de cruzamentos genéticos.

Conclui Dorian Fuller que houve “not a domestication event but yes a domestication process”.

Referências:

Hillman, G. C., and Davies, M. S. (1990a) Domestication rates in wild-type wheats and barley under primitive cultivation. Biol. J. Linnean Soc. 39: 39–78.

Hillman, G. C., and Davies, M. S. (1990b) Measured domestication rates in wild wheats and barley under primitive cultivation, and their archaeological implications. J. World Prehistory 4: 157–222.

domingo, 13 de junho de 2010

Uma FCT em Miniatura

Para quem não viu isto noticiado na comunicação social, o Eurodeputado Rui Tavares (Bloco de Esquerda) irá financiar bolsas de estudo a partir do seu próprio bolso, iniciativa descrita pelo próprio como sendo um capricho. Ainda não se sabe em que moldes estas bolsas serão atribuídas, mas um regulamento será disponibilizado até final de Junho aqui.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Carpologia no Norte de Espanha - novos dados

Na última conferência do IWGP foi apresentado um poster focando um estudo arqueobotânico de duas jazidas mesoliticas e neolíticas do Norte de Espanha, Los Gitanos (Cantábria) e Arangas (Asturias). É da autoria de Inés López, Pablo Arias e Roberto Ontañon.

Podem ver o poster aqui.

Ambas as jazidas são cavidades com ocupações humanas, sendo os vestigios carpológicos escassos. Na verdade as sementes de espécies silvestres até são mais abundantes do que as cultivadas. Apresentamos aqui sumariamente alguns dos resultados que achamos mais relevantes:

Arangas (Mesolítico): frutos de Corylus avellana (aveleira) e Sorbus sp..

Arangas (Neolítico final): 13 grãos de cevada, alguns da variedade vestida (Hordeum vulgare ssp. vulgare) e outros da variedade nua (Hordeum vulgare var. nudum).

Los Gitanos (Neolítico antigo): Corylus avellana (avelãs) e Quercus sp. (bolota).

Los Gitanos (Neolítico final): Corylus avellana (avelãs) e Quercus sp. (bolota).

Los Gitanos (Calcolítico): um grão de Triticum aestivum/durum (trigo de grão nu) e um grão de cereal indeterminado; Quercus sp. (bolota).

Para uma zona onde os dados carpológicos são muito escassos, este novo estudo é muito importante. Ficamos a aguardar mais resultados.

Referência:
López, I.; Arias, P.; Ontañon, R. (2010) - Charred seeds and fruits from Mesolithic and Neolithic contexts on Northern Spain: Los Gitanos and Arangas caves. Poster apresentado na 15ª conferência do IWGP.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Tutorial: "Integrated Archaeobotanical Research"

No último congresso do IWGP foi apresentado sob a forma de poster um novo tutorial on-line de apresentação e ensino de Arqueobotânica. É da responsabilidade da Universidade de Sheffield e intitula-se "Integrated Archaeobotanical Research"

Podem ver o Poster aqui.

O tutorial está muito bem estruturado e é extremamente didáctico. Ensina a fazer amostragens, flutuações e até a interpretar os vestígios de plantas que se encontram em jazidas arqueológicas. Não se limita a focar o estudo de carvões de madeira e sementes, mas também raízes, materiais conservados em água, pólen, fitólitos e grãos de amido.

É claramente o melhor site de Arqueobotânica que vi até agora, com muitas imagens e filmes, com abundantes referências bibliográficas.

Vejam e explorem o tutorial aqui.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

The 5th Experimental Archaeology Conference

Podem ver aqui a página oficial da 5th Experimental Archaeology Conference que se irá realizar em Reading, Inglaterra, a 8 e 9 de Janeiro de 2011.

O tema desta 5ª edição será "Experimental Archaeology: Developing Scientific Approaches".

terça-feira, 8 de junho de 2010

Curso de Osteologia Juvenil

A Universidade de Dundee irá promover em Agosto um curso focando especificamente a osteologia humana juvenil. A sua realização está dependente de um número mínimo de inscritos. Eis mais algumas informações:

Cranial and Postcranial Juvenile
Osteology for Medical, Forensic and
Archaeological Practitioners
Continuous Professional Development Modules

August 2010


Module 1 – Cranial Juvenile Osteology
(2nd-6th August)
• Embryology of cranial skeletal elements
• Developmental osteology and
morphology of the cranial bones
• Development of the dentition

Module 2 – Postcranial Juvenile Osteology
(9th-13th August)
• Embryology of postcranial skeletal elements
• Developmental osteology and morphology of
the postcranial bonés

Introduction
• Held within the Centre for Anatomy and Human
Identification, University of Dundee, Scotland, UK
• Choice of two week long residential modules:
Cranial Juvenile Osteology
Postcranial Juvenile Osteology
• Modules delivered by some of the leading world
experts in the field of human developmental
osteology
• Offers current professionals and those in training
an opportunity to enhance their continuous
professional development.

Course Outline
• To provide specialised training in cranial and
postcranial juvenile osteology
• Concepts and principles of the developing human
skeleton will be introduced, including the
embryology, development and morphology of each
individual bone within the human skeleton
• Intensive series of lectures and a large practical
component which will allow direct examination and
assessment of juvenile skeletal remains.
• Practical sessions based on the unique Scheuer
Collection of Juvenile Remains
• The Scheuer Collection is believed to be the only
active repository for juvenile skeletal remains held
anywhere in the world

For Further Information and an Application Pack Contact:
Dr C Cunningham
Centre for Anatomy and Human Id
College of Life Sciences
University of Dundee
Dundee
Scotland, UK
DD1 5EH
+44 (0)1382 388351
c.a.cunningham@dundee.ac.uk

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Grupo de Biologia Evolutiva em Portugal

Citando e-mail que se encontra em circulação:


Grupo de 'Biologia Evolutiva em Portugal'

Em Setembro de 2005, foi criada uma rede informal entre os biólogos evolutivos portugueses, trabalhando quer em Portugal quer no estrangeiro. O objectivo foi o de melhorar a comunicação no seio desta comunidade, de forma a tomarmos conhecimento dos trabalhos desenvolvidos e dos eventos que se realizam na área.

Foi realizado um primeiro Encontro Nacional de Biologia Evolutiva em Dezembro de 2005, que reuniu colegas de todo o país e vários portugueses trabalhando no estrangeiro, que aproveitaram a sua viagem de férias a Portugal para também participar. Desde então um encontro tem vindo a realizar-se todos os anos (alternando entre Lisboa e Porto), tendo já ocorrido cinco encontros.

Existe um sítio na internet onde podem ver o historial do grupo e dos encontros, incluindo aceder aos programas de anteriores encontros, assim como hiper-ligações relevantes, incluindo ligações para vários grupos de investigação que trabalham em Biologia Evolutiva em Portugal
http://biologia-evolutiva.net/

Foi também formada uma lista electrónica «Biologia Evolutiva em Portugal», que conta com mais de 200 membros, e que serve para coordenar os encontros, divulgar eventos (conferências, defesas de tese, bolsas, etc.), e discutir temas relacionados com a biologia evolutiva. Para inscrição no grupo basta visitar
http://groups.google.com/group/biologia_evolutiva

É fundamental que esta lista se actualize por forma a manter a sua eficácia na comunicação entre colegas. Solicita-se assim a todos os que, directa ou indirectamente fazem a sua investigação em temáticas relacionadas com esta áera integrativa de toda a Biologia, que se inscrevam no grupo.