É por vezes difícil encontrar as palavras certas para um post. Desta vez, a dificuldade ganha novos contornos porque este post trata de uma perda. Trata do desaparecimento de alguém que vai deixar irremediável saudade naqueles com quem conviveu. Refiro-me ao Nuno Caldeira, falecido ontem de forma súbita e consternadora.
O Nuno era “informático” e passou grande parte da sua vida adulta ao serviço do ex-Instituto Português de Arqueologia e do actual IGESPAR.
Contribuiu significativamente para a Arqueologia Portuguesa, porém o seu trabalho limitou-se na maioria das vezes aos bastidores e provavelmente, muitos arqueólogos nunca ouviram falar dele. Há algumas semanas apresentei aqui uma entrevista a duas das responsáveis pela base de dados relativa ao Património Osteológico Humano em Portugal (POHP). Esta base de dados é um ramo do Endovélico – um precioso sistema de informação e gestão arqueológica co-desenvolvido pelo Nuno. Dado o seu falecimento, considerei importante prestar-lhe aqui a homenagem merecida pelo seu inestimável contributo para o progresso da Arqueologia em Portugal.
Conheci o Nuno há apenas 6 anos. Se há alguma descrição que lhe faça justiça, é esta: Durante todo este tempo em que o incomodei com os meus problemas informáticos, não houve vez alguma em que ele não me recebesse com um sorriso e não se prontificasse a ajudar!
Os arqueólogos são peritos em fazer “reviver” culturas e pessoas. Em boa justiça, espero que saibam também preservar na lembrança a memória do Nuno. Por seu lado, o Arqueociências envia-lhe um muito obrigado e endereça os mais sentidos pêsames à sua família e amigos.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Castelo Velho de Freixo de Numão
Embora não seja particularmente conhecido pelos estudos de arqueobotânica aí realizados, o Castelo Velho forneceu, além de abundantes carvões, abundantes grãos de cereais, concentrados numa única estrutura.
A autora do estudo de arqueobotânica, Isabel Figueiral, teve oportunidade de mencionar este achado excepcional na sua comunicação do passado dia 8 em Braga, nas conferências publicitadas aqui neste blogue.
Para quem não conhece este trabalho, deixo aqui as referências bibliográficas e alguns dados referentes à carpologia.
Castelo Velho II - Castelo Velho III - Castelo Velho IV
Hordeum vulgare 1 1876
Triticum compactum 34403
Triticum sp. 3518 4
Lathyrus sp. 4
Lens sp. 1
Pisum sativum 10 2
Castelo Velho II corresponde a níveis da Idade do Bronze, enquanto que Castelo Velho III e IV datam do Calcolítico. Os dados de Castelo Velho III correspondem à referida estrutura, como facilmente se depreende pela quantidade de material recolhido.
No seu conjunto, as espécies recolhidas não constituem uma novidade no NW peninsular, mas a verdade é que por enquanto são poucas as jazidas com recolhas sistemáticas, pelo que se deve valorizar estes resultados. Ainda assim, o Neolítico final e o Calcolítico ainda são os períodos pré-históricos para os quais detemos mais dados no Norte de Portugal, fruto do trabalho realizado por arqueólogos das Universidades do Porto e do Minho.
Eis as referências bibliográficas. Aconselho particularmente a referência mais recente.
Figueiral, I. (1999). "Castelo Velho (Freixo de Numão, Portugal). The charcoalified plant remains and their significance." Journal of Iberian Archaeology 1: 259-268.
Figueiral, I.; Jorge, S.O. (2008). "Man-made landscapes from the thir-second millennia BC: the example of Castelo Velho (Freixo de Numão, North-East Portugal)." Oxford Journal od Archaeology, 27 (2): 119-133.
terça-feira, 25 de maio de 2010
Petição Online
Está a decorrer uma petição visando a substituição das bolsas de investigação por contratos de trabalho. A petição é endereçada ao Presidente da Assembleia da República e tem o seguinte enunciado:
"Os bolseiros de investigação científica encontram-se em condições muito precárias no que diz respeito às condições de trabalho. As bolsas de investigação são, neste momento, a única saída profissional ligada à investigação científica para a maioria dos cursos de ciências naturais. Assim, um recém-licenciado que queira prosseguir a carreira de investigação científica, vê-se obrigado a aceitar o estatuto do bolseiro de investigação. Esse estatuto prevê a atribuição de bolsas de investigação, de doutoramento ou pós-doutoramento que incluem um valor mensal atribuido a cada bolseiro, não sendo esse valor actualizado desde 2002. Além desse facto, o bolseiro não tem um contrato de trabalho o que faz com que não tenha direito a subsídio de desemprego, de férias ou Natal, assim como qualquer subsídio em caso de doença, parentalidade e adopção, riscos profissionais, desemprego, invalidez, velhice, morte, encargos familiares, entre outros; não desconta para o IRS pelo que não pode pedir qualquer tipo de empréstimo bancário ou outro. Neste momento a maioria dos licenciados, mestres e doutorados das ciências naturais dependem destas bolsas para viver já que as alternativas de emprego são escassas ou não incluem funções de investigação científica. Deste modo e porque as tarefas realizadas pelos investigadores são de facto trabalho que em muitos casos ultrapassa as 40 horas semanais e inclui fins de semana, as actuais e futuras bolsas deverão ser alteradas para contratos de trabalho que incluem os direitos sociais básicos acima mencionados".
A petição pode ser assinada aqui.
"Os bolseiros de investigação científica encontram-se em condições muito precárias no que diz respeito às condições de trabalho. As bolsas de investigação são, neste momento, a única saída profissional ligada à investigação científica para a maioria dos cursos de ciências naturais. Assim, um recém-licenciado que queira prosseguir a carreira de investigação científica, vê-se obrigado a aceitar o estatuto do bolseiro de investigação. Esse estatuto prevê a atribuição de bolsas de investigação, de doutoramento ou pós-doutoramento que incluem um valor mensal atribuido a cada bolseiro, não sendo esse valor actualizado desde 2002. Além desse facto, o bolseiro não tem um contrato de trabalho o que faz com que não tenha direito a subsídio de desemprego, de férias ou Natal, assim como qualquer subsídio em caso de doença, parentalidade e adopção, riscos profissionais, desemprego, invalidez, velhice, morte, encargos familiares, entre outros; não desconta para o IRS pelo que não pode pedir qualquer tipo de empréstimo bancário ou outro. Neste momento a maioria dos licenciados, mestres e doutorados das ciências naturais dependem destas bolsas para viver já que as alternativas de emprego são escassas ou não incluem funções de investigação científica. Deste modo e porque as tarefas realizadas pelos investigadores são de facto trabalho que em muitos casos ultrapassa as 40 horas semanais e inclui fins de semana, as actuais e futuras bolsas deverão ser alteradas para contratos de trabalho que incluem os direitos sociais básicos acima mencionados".
A petição pode ser assinada aqui.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
A Estimativa da Ancestralidade a Partir do Esqueleto Humano

O CRANID é um software que permite, através de 29 medições cranianas, estimar a ancestralidade provável de um crânio não identificado. Esta classificação é efectuada após comparação automática com 3163 crânios incluídos em 74 colecções distribuídas um pouco por todo o mundo. O programa estabelece semelhanças e diferenças entre crânios e, dada a elevada correlação entre morfologia craniana e origem geográfica, fornece um resultado relativo à afinidade ancestral.
Uma nova versão deste programa foi lançada – CRANID6 – e pode ser descarregada aqui
Imagem retirada de Art of Derek Lebrun
sábado, 22 de maio de 2010
Arqueo-conferências no MNA

Relembramos novamente que um ciclo de conferências no domínio da Arqueologia e áreas afins ocorrerá a partir de Junho no Museu Nacional de Arqueologia. Esta iniciativa terá uma periodicidade mensal e estender-se-á até ao final do presente ano. A organização está a cargo do Museu Nacional de Arqueologia, do Grupo de Estudos em Evolução Humana e do Núcleo de Arqueologia e Paleoecologia da Universidade do Algarve.
A primeira conferência está agendada para as 17 horas do dia 18 de Junho e é protagonizada por Hugo Rafael Oliveira, um dos autores do arqueociências. A concluir Doutoramento pela Universidade de Cambridge, este irá apresentar alguns resultados preliminares da sua investigação actual. O título da comunicação é: Arqueogenética e a difusão do cultivo de trigo no Norte de África e na Península Ibérica.
Não percam!
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Workshop Geoarqueologia
Nos próximos dias 19 e 20 de Junho irá decorrer em Torres Vedras um Workshop em Geoarqueologia promovido pela Associação Leonel Trindade. Os oradores são Luca Dimuccio, Thierry Aubry e o Prof. Lúcio Cunha.
Para o programa detalhado e inscrições, visitem o site da ALT
Para o programa detalhado e inscrições, visitem o site da ALT
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