domingo, 23 de maio de 2010

A Estimativa da Ancestralidade a Partir do Esqueleto Humano




O CRANID é um software que permite, através de 29 medições cranianas, estimar a ancestralidade provável de um crânio não identificado. Esta classificação é efectuada após comparação automática com 3163 crânios incluídos em 74 colecções distribuídas um pouco por todo o mundo. O programa estabelece semelhanças e diferenças entre crânios e, dada a elevada correlação entre morfologia craniana e origem geográfica, fornece um resultado relativo à afinidade ancestral.

Uma nova versão deste programa foi lançada – CRANID6 – e pode ser descarregada aqui


Imagem retirada de Art of Derek Lebrun

sábado, 22 de maio de 2010

Arqueo-conferências no MNA




Relembramos novamente que um ciclo de conferências no domínio da Arqueologia e áreas afins ocorrerá a partir de Junho no Museu Nacional de Arqueologia. Esta iniciativa terá uma periodicidade mensal e estender-se-á até ao final do presente ano. A organização está a cargo do Museu Nacional de Arqueologia, do Grupo de Estudos em Evolução Humana e do Núcleo de Arqueologia e Paleoecologia da Universidade do Algarve.

A primeira conferência está agendada para as 17 horas do dia 18 de Junho e é protagonizada por Hugo Rafael Oliveira, um dos autores do arqueociências. A concluir Doutoramento pela Universidade de Cambridge, este irá apresentar alguns resultados preliminares da sua investigação actual. O título da comunicação é: Arqueogenética e a difusão do cultivo de trigo no Norte de África e na Península Ibérica.

Não percam!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Workshop Geoarqueologia

Nos próximos dias 19 e 20 de Junho irá decorrer em Torres Vedras um Workshop em Geoarqueologia promovido pela Associação Leonel Trindade. Os oradores são Luca Dimuccio, Thierry Aubry e o Prof. Lúcio Cunha.

Para o programa detalhado e inscrições, visitem o site da ALT

sexta-feira, 30 de abril de 2010

A Nossa Família Será Demasiado Numerosa?

Foram divulgados alguns resultados relativos a novos achados hominóides na África do Sul. Os autores do artigo publicado na Science propõem a inclusão desses achados numa nova espécie do género Australopithecus – Aus. sediba. Os fósseis referem-se a dois indivíduos, um juvenil possivelmente do sexo masculino (MH1) e um adulto possivelmente do sexo feminino (MH2). A datação dos restos encontrados em Malapa, que dista apenas 15 km de outros sítios bem conhecidos como Sterkfontein, Swartkrans e Kroomdrai, aponta para uma datação com um intervalo entre 1.95 e 1.78 milhões de anos.

O artigo argumenta que o sediba fará parte da linhagem do Aus. africanus (3.0 a 2.4 milhoes de anos), outro hominídeo nativo desta região, e que poderá ser um ascendente directo da linhagem do género Homo. Os autores descrevem exaustivamente as evidências presentes no esqueleto que apontam para uma evolução em mosaico que dá suporte a essa afirmação. De entre todos os representantes do género australopitecíneo, o sediba apresenta o conjunto mais alargado de traços derivados (apomorfias). Esta hipótese dá lugar a mais dúvidas acerca da real posição dos H. rudolphensis e do H. habilis – seus contemporâneos – que têm sido alvos de acesa discussão.

A árvore evolutiva humana torna-se cada vez mais frondosa, mas há quem se questione se o registo fóssil está a ser bem interpretado e se aquela reflecte o número real de espécies presentes nesse registo. Na realidade, o problema em utilizar a cladística como forma de análise das relações evolutivas consiste na possibilidade de resultar na artificial multiplicação do número de espécies. Este sistema focaliza-se na partilha das apomorfias, os tais traços derivados mencionados anteriormente, estabelecendo assim relações de afinidade entre os diversos organismos. Estas afinidades são representadas na forma de cladogramas, nos quais dois organismos mais semelhantes entre si do que em relação a um terceiro têm teoricamente um antepassado comum mais recente. Um exemplo de cladograma pode ser consultado na figura.





Parece haver um consenso em relação à cladística como sendo o sistema mais prático visto que se baseia na parsimónia e no teste de hipóteses por oposição às avaliações subjectivas a que está obrigada a fenética – outro sistema de classificação. Além disso, a sua utilidade no discurso científico é imenso. No entanto, ao invés de descrever a ordem de surgimento de novas espécies, a cladística descreve apenas a ordem de surgimento de apomorfias independentemente de estas coincidirem ou não com novas especiações. Em teoria, cada clade (grupo de organismos derivados de um único ancestral) deve conter pelo menos uma apomorfia, mas será isto suficiente para a determinação de novas espécies? É claro que no caso da taxonomia relativa aos hominíneos extintos, a cronologia e a geografia têm também um importante papel na determinação de novas espécies. Porém, não podemos deixar de nos questionar se não estamos perante uma multiplicação artificial do número dessas espécies.

Fibulas do Castro de Pragança

Num estudo publicado já no ano passado, um conjunto de nove fibulas da Idade do Ferro, provenientes do Castro de Pragança (Cadaval) foram submetidas a técnicas não destrutivas de forma a determinar a sua composição. A técnica utilizada foi a micro-EDXRF (Micro-Energy-Dispersive X-Ray Fluorescence
Spectrometry).

A análise demonstrou estarmos perante 5 fibulas de bronze (Cu-Sn) enquanto que 4 são compostas por bronze e ferro. Vejamos algumas das conclusões dos autores do estudo (Melo et al. 2009):
"The results of the micro-EDXRF analyses show that all fibulae were made of bronze, with variable small amounts of As and/or Pb, and that 4 fibulae have axles made of iron.
[...]
In the case of the fibulae from Castro de Pragança, the use of iron for the manufacture of the less visible components of the objects, i.e., the axle, can indicate that iron was no longer considered a “precious” material as it seems to have been when it made its first appearance.
[...]
The Iron Age fibulae from Castro de Pragança are probably locally produced, even though they reveal different foreign influences."

É um trabalho muito interessante que permite alargar bastante o conhecimento que temos acerca da tecnologia antiga.

Referência:
Melo, A. A. , Figueiredo, E. , Araújo, M. F. , Senna-Martinez, J. C.(2009) - Fibulae from an Iron Age Site in Portugal. Materials and Manufacturing Processes, 24: 9, 955 — 959

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Milho


No final de uma apresentação num colóquio, já há uns meses, fui interpelado por uma pessoa do público que me questionou acerca do milho de que havia acabado de falar. Percebi então que a pessoa estava confundida acerca da espécie de que eu falava.

Para esclarecer quaisquer dúvidas, deixo aqui uma nota: o milho de que se fala em estudos arqueobotânicos de jazidas de épocas prévias ao descobrimento do continente americano não é o milho de origem americana que hoje consumimos e que é tão característico do noroeste do país.




São espécies distintas, com características bem diferenciadas, como podem ver nas imagens que acompanham esta mensagem. O milho-miúdo corresponde à espécie Panicum miliaceum L. e o milho painço é a Setaria italica (L.)P.Beauv.. São espécies de origem asiática. O milho americano é Zea mays L.

No que respeita aos vestígios arqueobotânicos, as cariopses do milho de origem asiática são muito diferentes. Os grãos de milho americano todos nós conhecemos bem. Segue uma foto de uma grão carbonizado de milho-miúdo para esclarecer esta questão (repare-se na pequena dimensão dos grãos, usualmente em torno do 1mm). Trata-se de um exemplar do povoado romano de Terronha de Pinhovelo, Macedo de Cavaleiros.

Grão carbonizado de Panicum miliaceum


quarta-feira, 21 de abril de 2010

III Jornadas do Quaternário: programa

III Jornadas do Quaternário. Evolução Paleoambiental e Povoamento no Quaternário do Ocidente Peninsular
Data: 7 e 8 de Maio de 2010
Local: Anfiteatro da Escola de Ciências da Universidade do Minho, Campus de Gualtar, Braga
inscrições: ver em http://apeq.no.sapo.pt/

Dia 7
9h30 – Abertura

Sessão de Povoamento, Cronologia e Dinâmica Sedimentar (Moderadora: Assunção Araújo – a confirmar)

10h-11h - Upwelling, efeito de reservatório, radiocarbono - inferências paleoclimáticas
António Manuel Monge Soares (Instituto Tecnológico Nacional)

11h-11h30 - O processo de Neolitização no Norte de Portugal
Sérgio Monteiro-Rodrigues

11h 30 -12h - A evolução da linha de costa no Entre Douro e Vouga, no 1º milénio a. C., a partir da arqueologia
Gabriel Pereira

12h-12h30 –(título a confirmar)
Laura Soares

12h30-13h- Debate

Sessão de Povoamento e Arqueozoologia (Moderador: Sérgio Rodrigues)

15h30-16h30 - Faunas arqueológicas en el Noroeste de la Península Ibérica
Carlos Fernández Rodrigues (Universidade de Léon)

16h30-17h- Peixes do Quaternário de Portugal
Sónia Gabriel

17h-17h30 - Problemática do enchimento dos Fossos 3 e 4 (Sector I) dos Perdigões (Reguengos de Monsaraz) com base na análise estratigráfica dos restos faunísticos
Cláudia Costa

17h30-18h - O sítio da Idade do Bronze das Areias Altas, Porto: identificação de novos contextos arqueológicos e a problemática da sua interpretação
Sara Luz

18h-18h30 - Análises químicas de conteúdos orgânicos de recipientes cerâmicos da Idade do Bronze do Norte de Portugal
Luís Gonçalves, Ana M. S. Bettencourt e M. Isabel Caetano Alves

18h30 - 19h -Debate

Dia 8
Sessão de Povoamento e Arqueobotânica (Moderadora: Ana M. S. Bettencourt)

10h-11h - Paisagens humanizadas da fachada ocidental da Península Ibérica: o olhar da arqueobotânica
Isabel Figueiral (Universidade de Montpellier)

11h-11h30- Análisis antracológico de estructuras de combustión neolíticas en el Noroeste Peninsular
Paloma Uzquiano e Maria Martín Seijo

11h30-12h- Terra, sementes e metal. Consideracións da agricultura na Idade do Ferro na actual Galicia
André Teira Brión

12h-12h30 - Agricultura e armazenagem de cereais em Monte Mozinho: uma abordagem interdisciplinar
João Pedro Tereso, Teresa Pires de Carvalho, Rubim Almeida da Silva e Pablo Ramil Rego

12h30-13h - Prácticas agrícolas y gestión del combustible en el monte gallego entre los siglos VII y XVII. El caso de A Mourela (As Pontes, A Coruña).
Maria Martín Seijo, Ferrán Antolín, Natalia Alonso, Ramón Fábregas Valcarce e A. Bonilla

13h-13h30 -Debate

Sessão de Povoamento e Ambiente (Moderadora: Maria Isabel Caetano Alves)

15h30-16h30- Cambio climático, biodiversidade e explotación humana dos recursos naturais no Noroeste Ibérico durante os últimos 100.000 anos
Pablo Ramil Rego (Universidade Santiago Compostela)

16h30-17h - Os últimos caçadores-recolectores da Serra da Cabreira (NW de Portugal). O Abrigo 1 de Vale de Cerdeira (Vieira do Minho)
José Meireles

17h-17h30 - A Mamoa 1 de Madorras (Sabrosa, Vila Real): perfil polínico e datações de Carbono 14
José Antonio López Sáez, Domingos Jesus Cruz e António Alberto Huet Bacelar Gonçalves

17h30-18h - Dados palinológicos para o estudo do litoral Norte durante o Sub-boreal: o sítio arqueológico do Corgo, Azurara, Vila do Conde
Helena Ribeiro, Hugo Aluai Sampaio, Maria Isabel Caetano Alves, Ana M. S. Bettencourt e Ilda Noronha

18h-18h30 – FMI 5000: um projecto sobre mudanças ambientais holocénicas
Ana Ramos Pereira

19h -19h30- Debate