sábado, 20 de março de 2010

Colecções de Esqueletos Identificados

No link abaixo, podem saber alguns detalhes de diversas colecções de esqueletos existentes um pouco por todo o mundo. Estas colecções são fundamentais para o desenvolvimento das metodologias aplicadas pela Antropologia Biológica e o site disponibiliza referências bibliográficas de alguns dos trabalhos de investigação efectuados. Também estão listadas algumas colecções arqueológicas.

http://skeletal.highfantastical.com/

domingo, 14 de março de 2010

O site do BoneCommons finalmente reabriu!


BoneCommons é um site patrocinado pelo ICAZ e que pretende ajudar a comunidade zooarqueológica a partilhar informação, fotografias e questões.
http://alexandriaarchive.org/bonecommons/

Para quem gosta de ossos de animais vale a pena ainda relembrar
o http://zooarchaeology.ning.com, uma espécie de rede social à moda do Facebook para zooarqueólogos - o Zoobook!

Mais rudimentar mas bastante eficiente é a ZOOARCH list (https://www.jiscmail.ac.uk/cgi-bin/webadmin?A0=zooarch), uma lista de mails onde podemos inscrever e receber as notícias e perguntas mais recentes do mundo dos ossos!


sexta-feira, 12 de março de 2010

Frutos e sementes: imagens

3892.jpg Atropa bella-dona 1751.jpgSilene nutans
3348.jpg Taxus baccata 3156.jpgBuxus sempervirens

Cicer arietinum 2694.jpgMedicago minima

4414.jpg Euphorbia helioscopia Cannabis sativa


O que pretendo com estas imagens é evidenciar a beleza de algumas estruturas vegetais, neste caso os frutos e sementes. No site do Digital Seed Atlas of the Netherlands em http://seeds.eldoc.ub.rug.nl/root/ poderão ver mais exemplos.

terça-feira, 9 de março de 2010

A "verdade" em ciência com ou sem máquina do tempo

Para quem não sabe, fica aqui a grande noticia: inventaram a máquina do tempo e proibiram as opiniões contrárias! É essa a sensação que temos quando lemos a grande noticia da agência reuters:

"It's official: An asteroid wiped out the dinosaurs

A giant asteroid smashing into Earth is the only plausible explanation for the extinction of the dinosaurs, a global scientific team said on Thursday, hoping to settle a row that has divided experts for decades." (vejam em http://www.reuters.com/article/idUSTRE6233YW20100304?loomia_ow=t0:s0:a49:g43:r3:c0.100000:b31301396:z0)

Não está aqui em causa se, de facto, a hipótese em questão é aquela que consegue granjear os argumentos mais coerente e convincentes, mas sim a forma como é divulgada esta notícia. É oficial! É a única explicação plausível! Como se agora ficassem eliminadas quaisquer outras hipóteses alternativas. É tanto mais grave quanto, como a própria noticia refere, durante décadas muitos especialistas discordaram nesta matéria.

Não creio que esta noticia respeite minimamente princípios básicos em ciência tais como o carácter provisório das teorias (e dos paradigmas) e a inexistência de verdades absolutas. Não me parece uma postura correcta, ainda que a conclusão resulte de um painel de 41 cientistas. Podemos questionar, no seguimento de uma mensagem anterior neste blogue, como foi feita a escolha destes 41 cientistas. Será que não tinham logo à partida, todos eles, a convicção de que esta era a hipótese mais plausível? Se assim for, este novo texto unicamente junta em uníssono pessoas com a mesma opinião. A virtude argumentativa está em convencer quem tem opinião contrária. Além disto, demonstra uma prepotência tremenda.

Pondo água na fervura. Será que não é uma má postura científica - de acordo com os meus parâmetros - por parte do painel de cientistas, mas somente um caso de mau jornalismo? Todos conhecemos casos de subversão jornalística, por parte de profissionais mal qualificados, para quem a ciência providencia "a verdade única" e não "as verdades" de cada cientista ou grupo de cientistas - com 41 ou mais elementos.

O discurso da "verdade única", embora mais fácil de comunicar com pessoas exteriores ao debate científico, traz problemas a médio prazo: o mesmo público terá dificuldades em perceber mudanças de paradigmas. Vão qualificar essas mudanças como erros, quando são unicamente alterações de paradigma - à moda de Kuhn ou de Popper.

Eu já por mais de uma vez fui olhado de soslaio em escavações arqueológicas por não conseguir afirmar peremptoriamente o que se passou naquele local, sem qualquer margem para dúvida. Ao colocar, eu próprio, mais de uma hipótese interpretativa para os dados que estou a obter, muitos tendem a ver o meu trabalho como não-científico ou a questionar as minhas capacidades para realizar o trabalho.

Em jeito de provocação devo referir que nem com uma máquina do tempo esta multiplicidade de perspectivas iria terminar. Quase que aposto que até iria multiplicar-se...

sexta-feira, 5 de março de 2010

Programa do Congresso do IWGP

Para quem estiver interessado, está disponível em http://www.palaeoethnobotany.com/conference.php o programa provisório do próximo congresso de arqueobotânica organizado pelo International Work Group for Palaeoethnobotany (IWGP), grupo responsável pela publicação Vegetation History and Archaeobotany.

O congresso vai realizar-se em Wilhelmshaven, na Alemanha entre 31 de Maio e 5 de Junho do presente ano.

O conjunto de comunicações orais e posters ascende a um impressionante número de 180 contribuições, cobrindo diversos temas dentro das seguintes sessões:

Gathering, cultivation and domestication
Ethnobotanical approaches
Methods and Analytical Archaeobotany
Regional and Historical Archaeobotany
Origins of Agriculture in the Near East

Neste ano existem colaborações de quatro investigadores portugueses (entre os quais dois autores deste blogue), num total de três comunicações orais:

Oliveira, H./Lister, D./Jones, M.
Phylogeography of Triticum turgidum landraces in Iberia and North Africa: genetic structure and cultivation history

Figueiral, I./Sejalon, P.
Deep down the wells, in southern France: plant remains (Late Neolithic - Roman) from Mas de Vignoles IX and their implication for the study of settlement, environment and economy

Tereso, J./Ramil-Rego, P./Goméz-Orellana, L./Almeida-da-Silva, R.
A palaeoethnobotanical approach to agricultural development in NW Iberia during prehistoric and early protohistoric times

Contam-se ainda várias outras comunicações e posters focando contextos ibéricos.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Património Osteológico Humano em Portugal: Uma Base de Dados

Dias depois da apresentação em Coimbra de uma base de dados da informação relativa aos restos humanos recuperados em trabalhos arqueológicos, entrevistámos duas das suas responsáveis para conhecer melhor este projecto. Cidália Duarte e Filipa Neto são ambas Mestres em Antropologia Biológica actualmente em funções no Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR, IP). A base de dados foi baptizada como Património Osteológico Humano em Portugal (POHP).

Em que consiste o POHP?
É um ramo do próprio Sistema de Informação Endovélico, que gere a informação sobre sítios arqueológicos em Portugal, em todas as suas vertentes – investigação, escavação, valorização, informação sobre responsáveis por trabalhos arqueológicos efectuados em casa sítio, e relatórios elaborados para cada um. O POHP foi desenvolvido para englobar toda a informação que consta dos relatórios de escavação de ossos humanos, nomeadamente dos relatórios de Antropologia.

Quais são as vantagens associadas ao desenvolvimento deste projecto?
A especificidade da Arqueologia Funerária e as exigências da legislação portuguesa geram um volume de informação extremamente útil para a investigação arqueológica e mesmo para a gestão de espólios em museus. A partir do portal do IGESPAR poder-se-á saber onde se encontram depositados ossos humanos provenientes de determinada área geográfica e de determinada época, e em que estado de conservação se encontram.

Que informações específicas são disponibilizadas por esta base de dados?
A POHP armazena e permite relacionar dados sobre Arqueologia Funerária (necrópoles, sepulturas específicas, ossários, etc) e sobre Antropobiologia, quando esses dados existem em relatório – indivíduos, osteobiografias, estado de conservação, local de depósito.

De que forma a comunidade arqueológica portuguesa pode contribuir para um melhor registo dos dados a integrar no POHP?
O ex-IPA e o presente IGESPAR, IP tem pautado por regular o tipo e nível de informação que consta dos relatórios de Antropologia, de forma pedagógica e pedindo aos investigadores para colmatarem, determinadas falhas que possam, eventualmente, existir nos relatórios apresentados. O nível actual de informação fornecida está directamente relacionado com o curso dos trabalhos de campo, actividade que é fiscalizada pelos agentes do IGESPAR nas Extensões Territoriais. O projecto de alteração aio regulamento dos Trabalhos Arqueológicos que se encontra em discussão pública prevê algumas alterações a este nível, prevendo formalmente a incorporação de algumas variáveis sobre Antropologia Funerária e sobre Bioantropologia na fase de elaboração de relatório e na fase de escavação que o procede.

Em que fase se encontra o projecto?
O projecto foi desenvolvido em 2004 do ponto de vista informático; desenharam-se os formulários, as relações entre variáveis para a produção de relatórios/estatísticas a extrair dos dados inseridos. Entretanto, as alterações à orgânica levaram a uma pausa. Desde 8 de Janeiro de 2010 está a ser alimentada com dados específicos de necrópoles recentemente escavadas, e foi apresentada à comunidade no dia 1 de Março (Universidade de Coimbra; Grupo de Estudos em Evolução Humana) à qual se seguirá segunda apresentação na Associação dos arqueólogos Portugueses, a 16 de Março, no Largo do Carmo.

6) Como podemos aceder à base de dados?
A base de dados será aberta ao publico futuramente, em conjunto com o endovélico, através do portal do IGESPAR, IP. Por ora, a sua utilização ainda não é possível por falta de dados inseridos. No terceiro trimestre de 2010, contudo, deve estar disponível .

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Revisão por pares (peer review) alvo de criticas

O funcionamento do sistema de revisão por pares (peer review) tem sido questionado por diversas vezes. Hoje em dia, questionar a revisão por pares é questionar todo o sistema de validação do conhecimento científico.

Um texto intitulado “Turning peer review into modern-day holy scripture” divulgado na passada semana em http://www.spiked-online.com/index.php/site/article/8227/ Frank Furedi coloca o dedo na ferida. O autor aponta alguns dos vícios do sistema.

Diz o autor:

“the individuals who constitute a ‘community of experts’ also tend to be preoccupied with their own personal position and status. Often, the colleagues they are reviewing and refereeing are their competitors and sometimes even their bitter rivals. The contradiction between working as a member of an expert community and one’s own personal interests cannot always be satisfactorily resolved”.

E continua:

“all too often the question of who gets published and who gets rejected is determined by who you know and where you stand in a particular academic debate”.

Lista ainda três formas de adulteração do sistema de revisão por pares:

“First, there is the genuine mistake.

Second, there is the damaging influence of nepotism and professional jealousy.

The third, and in recent years the most disturbing, threat to the integrity of the peer-review system has been the growing influence of advocacy science.”

O autor aponta como principal exemplo da subversão do sistema de revisão por pares o debate em torno do aquecimento global e o já amplamente conhecido climategate. Denotam-se grandes dificuldades em publicar dados que contrariem as ideias vigentes e, quando a publicação é conseguida, questiona-se o carácter científico da própria revista ou a qualidade da revisão: “it is simply unthinkable that a publication that questions the prevailing consensus could have been properly reviewed”.

São mencionadas ainda acusações de atrasos propositados nas revisões de modo a que textos dos próprios revisores ou de membros do seu grupo de investigação, visando os mesmos temas, fossem publicados antes como portadores de novidades científicas.

Apesar das subversões, o autor acaba por considerar que este é ainda o melhor sistema de validação: “Nevertheless, peer reviewing has traditionally, at least, been the most effective way of exercising quality control over the proposals and output of the scholarly and scientific communities.”

Aconselho a leitura do texto em questão em http://www.spiked-online.com/index.php/site/article/8227/

Espero que possamos trocar aqui umas ideias acerca do assunto.