sábado, 16 de janeiro de 2010

Colóquio Era - 2010

No dia 23 de Janeiro vai realizar-se em Lisboa o colóquio da empresa Era Arqueologia.

No programa incluem-se várias apresentações, certamente muito interessantes, inlcuindo abordagens de várias arqueociências:

- Casa do Governador da Torre de Belém: apresentação com a colaboração de Sónia Gabriel, investigadora em zooarqueologia;

- Perdigões: apresentação focada nas faunas recolhidas em fossas e fossos, por Cláudia Costa

- Perdigões: arqueometalurgia, por Monge Soares

- Perdigões: geofísica, por A. Carlos Valera e José Márques Romero

O colóquio encerra com uma apresentação de Helmut Becker intitulada "Magnetic prospecting in archaeology: from Iberia to the Urals"

O cartaz com o programa integral pode ser visto aqui.

Não posso deixar de saudar esta iniciativa empresarial de promoção de trabalhos interdisciplinares e da sua divulgação ao público de forma gratuita.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Bolsa de Investigação

A quem interessar:

ANÚNCIO DE BOLSA DE INVESTIGAÇÃO

Está aberto um concurso para atribuição de uma Bolsa de Investigação (BI), com o valor de 980,00 euros, no âmbito do
Projecto PTDC/HIS-ARQ/098633/2008, com o acrónimo ABS, "O Algar do Bom Santo e as sociedades neolíticas da
Estremadura Portuguesa (6.º-4.º milénios a.C.)", a ser desenvolvido na Universidade do Algarve, Faculdade de Ciências
Humanas e Sociais, nas seguintes condições:
1. As actividades a desenvolver no âmbito da bolsa compreendem o estudo da colecção osteológica humana do Algar do
Bom Santo (no Museu Nacional de Arqueologia, Lisboa) e a codirecção de escavações arqueológicas em necrópoles neo-
calcolíticas.
2. Os destinatários da bolsa são especialistas em Antropologia Física.
3. A bolsa terá uma duração de seis meses, com início previsto para 1 de Abril de 2010, eventualmente renovável por
iguais períodos até à data de conclusão do projecto (31 de Março de 2013).
4. Os critérios de avaliação das candidaturas, por ordem decrescente de importância, serão:
1. Grau de Mestre em Antropologia Física;
2. Experiência na análise de necrópoles neo-calcolíticas;
3. Experiência da escavação de ossários.
5. O júri responsável pela selecção, formado por três Doutores, será constituído por:
− Prof. Doutor António Manuel Faustino de Carvalho;
− Prof. Doutor Nuno Gonçalo Viana Ferreira Bicho;
− Prof.ª Doutora Maria João Sá Viana Sampaio de Melo Valente.
6. Das candidaturas deverão constar os seguintes documentos:
− Curriculum Vitae;
− Certificado de Habilitações;
− Bilhete de Identidade;
− Numero de Identificação Fiscal.
7. O prazo de recepção das candidaturas será de18/01/2010 a 19/02/2010.
8. As candidaturas deverão ser dirigidas por e-mail para afcarva@ualg.pt.
9. A selecção dos candidatos que passarão à fase de entrevista será divulgada, até 10 dias úteis após o termo do prazo
para apresentação das candidaturas, através de carta remetida por correio para a morada indicada por cada candidato.
10. O resultado do processo de selecção será divulgado, até 10 dias úteis após a data da última entrevista, através de carta
remetida por correio para a morada indicada por cada candidato.
11. A atribuição de bolsa tem por base o Estatuto do Bolseiro de Investigação Científica, aprovado pela Lei n.º 40/2004 de
18 de Agosto.
12. A Universidade do Algarve reserva-se o direito de anular o procedimento de concurso de atribuição de bolsa, no âmbito
do Projecto em referência, caso não se venha a efectivar a outorga do respectivo contrato com a entidade financiadora.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

"Evolução Paleoambiental da Costa Atlântica Galega durante o Quaternário Recente"

Por recomendação da Prof.ª Ana Bettencourt, anuncia-se um evento que será, certamente, muito interessante.

Conferência: "Evolução Paleoambiental da Costa Atlântica Galega durante o Quaternário Recente"
Autor:Professor Augusto Peréz Alberti.
Data: 13 Janeiro de 2010, 17h
Local: Anfiteatro Nobre da Fac. Letras da Univ. do Porto
Organização: Associação Portuguesa para o Estudo do Quaternário - APEQ
Para mais informações: Consultar o site: http://apeq.no.sapo.pt/


O Professor Augusto Peréz Alberti é Catedrático de Geografia Física da Universidade de Santiago de Compostela desde 1999.
Tem como principais interesses científicos:
-Paleoclimatología y paleoambiente (reconstrucção paleoclimática e paleoambiental da Galiza nos últimos 40.000 anos); Geomorfologia glaciar e periglaciar; Geomorfologia costeira; Geomorfologia aplicada; Climatologia e Cartografia assistida por Computador


Foi Vice-presidente e depois Presidente da Sociedade Espanhola de Geomorfologia.
Participou em 31 projectos de investigação científica, geralmente como investigador principal. Colaborou em 23 trabalhos no âmbito da geomorfologia aplicada.
É autor principal de 20 livros sobre os processo geomorfológicos nas montanhas e nas costas da Galiza e co-autor de 9 livros ou capítulos de livros sobre temas afins.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Mitos da Historiografia na Arqueobotânica Galega

A historiografia é fértil em mitos. Num texto já com 10 anos Pablo Ramil Rego e Fernández Rodríguez listam as espécies vegetais que, por terem nomes latinos, tradicionalmente são tidas como cultivos adoptados pelas populações da Idade do Ferro e/ou da Época romana na Galiza e comparam com os dados obtidos em jazidas arqueológicas (dados de arqueobotânica) e nas fontes clássicas. Eis o resultado (quadro adaptado de Ramil Rego e Fernández Rodríguez, 1999):


Como é evidente no quadro, muitas espécies apontadas pela historiografia não se encontram mencionadas nas fontes clássicas para a região e não surgem no registo arqueológico/arqueobotânico. Como se deduziu então o seu uso pelas paleocomunidades humanas?

Notem que a presença do castanheiro neste quadro não indica que esta espécie não existia na região - dados polínicos apontam claramente para o carácter autóctone do castanheiro - unicamente indica que devemos ter muitas cautelas ao avaliar o papel desta espécie para a subsistência das comunidades das épocas em causa.

Também em Portugal não foram até agora recolhidas castanhas em sítios arqueológicos, ainda que existam evidências (antracológicas) para o uso da madeira desta espécie. No que respeita à videira, existem vestígios carpológicos no Norte de Portugal, acompanhando diversas evidências arqueológicas que permitem distinguir a região entre o Douro e o Minho das regiões mais a Norte na Proto-história e época romana.

De qualquer modo, o quadro aqui apresentado deve fazer-nos pensar na forma como é construído o conhecimento arqueológico/histórico e como a origem de determinadas ideias que temos como indiscutíveis poderá ser nebulosa. Em suma: temos de ter o cuidado de averiguar a origem das ideias que lemos na literatura científica e devemos fazê-lo de forma crítica.

Referência:
Ramil Rego, P.; Fernández Rodriguez, C. (1999) - La explotacíon de los recursos alimenticios en el Noroeste Ibérico, in García Quintela, M., Mitología y Mitos de la Hispania Prerromana (III), Akal, p. 296-319.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Estruturas de Armazenagem (1)


A construção de estruturas de armazenagem é um aspecto determinante para as sociedades produtoras pois assegura a sua resiliência face a eventos inesperados (e.g. perda de colheitas devido a pragas ou adversidades de ordem climática). Entre estas tem-se dado especial enfoque às estruturas escavadas no solo ou rocha, às quais é muitas vezes aplicado o termo silo. Na verdade, um silo é, simplesmente uma estrutura de armazenagem de cereais, podendo ser uma fossa ou uma estrutura construída em positivo. O uso do termo silo sem especificar o tipo de estrutura pode, por isso, conduzir a equívocos.

As fossas de armazenagem são uma solução recorrente em muitos contextos cronológicos e culturais pois permitem a preservação de alimentos durante amplos períodos de tempo. É para isso necessário que estejam bem impermeabilizadas, o que se pode alcançar revestindo as paredes com argila. No Castro de Sola um silo apresenta um pedaço de cortiça no fundo, também com a função de evitar a humidade. O uso de palha tem o mesmo efeito.

A fossa deve permanecer encerrada de modo a criar uma ambiente anaeróbio que previne a degradação por acção biológica.

A imagem que segue nesta mensagem é retirada de uma obra de referência da arqueobotânica ibérica (Ramon Buxó, Arqueología de las plantas, 1997: p.179) e retrata a construção de uma fossa de armazenagem (a, b), o revestimento (c), uso (d, e, f, g) e abandono (h, i).

Termino com uma citação de Varrão (de Re Rustica, 57) que faz referência ao uso de fossas de armazenagem, inclusive na Hispânia - versão inglesa retirada de http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Varro/de_Re_Rustica/home.html :
"Wheat should be stored in granaries, above ground, open to the draught on the east and north, and not exposed to damp air rising in the vicinity. The walls and floor are to be coated with marble cement, 2 or at least with clay mixed with grain-chaff and amurca, as this both keeps out mice and worms and makes the grain more solid and firm. Some farmers sprinkle the wheat, too, with amurca, using a quadrantal to about a thousand modii. Different farmers use different powders or sprays, such as Chalcidian or Carian chalk, or wormwood, and other things of this kind. Some use underground caves as granaries, the so‑called sirus, such as occur in Cappadocia and Thrace; and still others use wells, as in the Carthaginian and Oscensian districts in Hither Spain.106 They cover the bottom of these with straw, and are careful not to let moisture or air touch them, except when the grain is removed for use; for the weevil does not breed where air does not reach. Wheat stored in this way keeps as long as fifty years, and millet more than a hundred. 3 Some people, as in Hither Spain and in Apulia, build granaries in the field, above ground, so constructed that the wind can cool them not only from the sides, through windows, but also beneath from the ground.e Beans and legumes p295are kept fresh for a very long time in olive jars sealed with ashes."


quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Base de dados de Arqueobotânica (2)

Para quem se interessa pelo assunto, está on-line mais um bom exemplo de base de dados de Arqueobotânica, desta vez britânica, já com 13 anos! Vejam o seguinte artigo:

Tomlinson, P. and Hall, A. (1996) - A review of the archaeological evidence for food plants from the British Isles: an example of the use of the Archaeobotanical Computer Database (ABCD). Internet Archaeology, 1.

A título de exemplo, sigam o seguinte caminho:

Table of contents
Search the ABCD by Taxa
Brassica sp.
Sites
1338
[>> all sample details]
Impressiona a quantidade de espécies inventariadas, assim como o grande número de sítios arqueológicos. Mas saliento o facto de o nível base da apresentação não ser o sítio mas sim a amostra, dentro do sítio.


terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Geoarqueologia - uma tese

Foi hoje defendida a primeira tese realizada no âmbito do Mestrado em Geoarqueologia, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa em parceria com o IGESPAR: "Estudo petroarqueológico da utensilagem lítica do sítio arqueológico Lajinha 8 (Évora, Portugal). Análise de proveniências" por Rita Gaspar, tendo sido aprovada com a classificação de 19 valores.

Com a autorização da autora, segue o resumo da dissertação:

"No estudo aqui apresentado, centrado na colecção de utensilagem de pedra lascada do sítio arqueológico do Neolítico antigo Lajinha 8, desenvolveu-se uma abordagem geoarqueológica relativamente ao aprovisionamento das matérias-primas líticas utilizadas por este grupo humano.
O conjunto alvo é composto por 254 utensílios maioritariamente sobre suporte lamelar onde se denota uma forte componente micrólita, nomeadamente de geométricos. O seu estudo realizou-se com recurso a análises petrográficas macro e microscópicas que conduziram à identificação de sete litologias distintas. A representação destas no conjunto alvo encontra-se directamente relacionada com a sua aptidão para o talhe, salientando-se entre as rochas sedimentares as de texturas micro e/ou criptocristalinas e entre as rochas ígneas as de texturas afaníticas. A forte presença de litologias menos comuns em conjuntos líticos de outros sítios arqueológicos enquadráveis no Neolítico antigo, como sejam rochas vulcanosedimentares e metaliditos, é outra característica do conjunto em análise.
O estudo petrográfico realizado foi complementado com análise cartográfica, bibliográfica e prospecção de campo com objectivo de identificar as Fontes de Matérias-Primas das litologias representadas. No entanto, apenas foi possível apontar algumas prováveis Áreas Mãe de Proveniência, através das formações cartografadas. Desta forma é possível colocar a hipótese de que a maior parte das matérias-primas utilizadas por este grupo humano estariam disponíveis a distâncias de cerca de 25km em linha recta. Contudo, algumas das litologias utilizadas, nomeadamente os chertes e jaspes, poderão ter a sua origem em intercâmbios com outros grupos humanos."