Mostrar mensagens com a etiqueta Arqueobotânica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arqueobotânica. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Arqueopalinologia

Na semana passada, num colóquio realizado em Braga (aqui anunciado com antecedência) Luis Gómez-Orellana fez uma muito interessante e pertinente comunicação onde reviu criticamente os métodos utilizados para a realização de reconstituições paleoecológicas. A mesma suscitou diversas questões entre os demais participantes no colóquio pois o autor afirmou a inadequabilidade de diversas técnicas para a reconstituição de paisagens antigas, entre as quais a antracologia e a arqueopalinologia. Centro-me aqui somente na segunda (a primeira ficará para outra ocasião).

É hoje evidente que a Arqueopalinologia deve ser encarada com muitas cautelas. Várias questões apontadas por Gómez Orellana, que eu subscrevo na íntegra, servem para chamar à atenção das limitações desta técnica. Saliento as seguintes:

- A recolha de dados polínicos em jazidas arqueológicas está fortemente condicionado pelo tipo de contextos sedimentares e pelas realidades arqueológicas disponíveis;

- Os contextos sedimentares "secos" são propícios à migração vertical do pólen;

- Os contextos sedimentares "secos" são mais susceptíveis de degradar o pólen, ocorrendo fenómenos de preservação diferencial;

- Os contextos arqueológicos encontram-se por inerência afectados antropicamente;

- Nos contextos arqueológicos, a deposição polínica acontece sem qualquer ritmo calculável, e

- Frequentemente as sequências são incoerentes.

Como tal, a escolha dos contextos a ser amostrados deve ser criteriosa e limitar-se unicamente a níveis orgânicos e a paleosolos bem preservados, ainda assim com um forte controlo da tafonomia.

Por outro lado, a interpretação destes contextos contém também diversos problemas, não podendo ser encarada da mesma forma que as sequências polínicas obtidas em turfeiras e outros contextos similares. Os dados da arqueopalinologia referem-se aos locais associados à acção do Homem e mesmo assim os espectros obtidos são difíceis de interpretar.

Exige-se cautela. Aconselho que a leitura de trabalhos de arqueopalinologia comece por um exame minucioso do capítulo da Metodologia.

Termino esta mensagem com um exemplo caricatural que me foi dado há uns tempos: imaginem que o local no qual se obtém a sequência polínica encontrava-se, no tempo de ocupação da jazida, à sombra de um belo, porventura isolado, carvalho. A sequência polínica obtida daria uma imagem muito interessante da paisagem envolvente: um povoado rodeado de um enorme carvalhal!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Espaço como categoria cultural

Em comunicações e aulas costumo apresentar a seguinte citação (tradução do autor):

“A consideração do espaço como uma realidade unicamente de ordem física e ambiental desmorona-se perante a evidência de que o espaço é sobretudo uma categoria cultural, um conceito específico de cada sociedade ou, inclusive, de cada grupo de poder ou resistência dentro de uma determinada sociedade.
Ramil Rego et al. (2005): 111

Entre alguns (em especial não ligados directamente à História ou Arqueologia) poderá parecer algo de muito sapiente. Cá entre nós é um dado adquirido. De qualquer forma, esta frase parece sintetizar bem a ideia.

Referência:
Ramil Rego, P.; Rodríguez Guitián, M.; Rubinos Román, M.; Ferreiro da Costa, J.; Hinojo Sánchez, B.; Blanco López, J.; Sinde Vazquez, M.; Gómez-Orellana, L.; Díaz Varela, R.; Martínez Sánchez, S.; Muñoz Sobrino, C. (2005). La expresión territorial de la biodiversidad. Paisajes y hábitats. Recursos Rurais (2005) Serie Cursos 2: 109-128.
Disponível on-line aqui.


sábado, 21 de novembro de 2009

Anatomia de Madeiras on-line

Quem se interessa pela antracologia e identificação de madeiras sabe que o guia anatómico europeu mais utilizado é o célebre e esgotadissimo "European wood anatomy" de F.H Schweingruber (1990). Interessa saber também que este guia e respectiva chave dicotómica estão on-line em http://www.wsl.ch/land/products/dendro/ . Infelizmente, trata-se de uma versão menos completa (faltam espécies determinantes para o estudo da nossa flora), embora apresente mais imagens de cada uma das espécies representadas. Aqui encontram também a imagem desta mensagem (a secção transversal de Quercus robur -Carvalho alvarinho).

De qualquer forma, aquela que é talvez a mais completa chave de identificação de madeiras com a qual contactei está disponível on-line em formato Delta. Vejam em http://www.holzanatomie.at/.

Trata-se da Anatomy of European and North American woods - an interactive identification key e baseia-se nos critérios descritivos definidos pela IAWA - International Association Wood Anatomists. Como não tem ilustrações associadas, deverá ser usada conjuntamente com uma obra de referência como a já citada, de autoria de Schweingruber.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Flutuação de sedimentos

Para todos aqueles que pensam que a recolha de macro-restos vegetais é um processo complicado que só pode ser feito num laboratório por especialistas na área, eis um exemplo de como tal não é verdade.

Num site dedicado exclusivamente à flutuação de sedimentos, Dorian Fuller explica quais as várias técnicas utilizadas e inclui um pequeno video a explicar como se faz flutuação manual simples – bucket flutation – para a qual só é necessário ter água, um balde e uma malha de crivo de dimensões apropriadas (a minha experiência diz que é essencial, no mínimo, uma malha de 0,5mm para as sementes de menores dimensões).


Não esquecer de pesar o sedimento e/ou medir o volume (em litros). Basta, por exemplo, usar um balde com indicação de litros no seu interior, facilmente adquiridos em drogarias ou supermercados por 2-3€.

Vejam o Link do site: http://archaeobotany.googlepages.com/