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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Fitolitos - base de dados

Citando:

The Research Group for Palaeocological and Geoarchaeological Studies (GEPEG) of the University of Barcelona was created in 2005 with the purpose of, among others, conducting phytolith and mineralogical analyses of archaeological sediments to better understand the exploitation of plant resources by past populations, as well as to conduct climatic and vegetation reconstructions, taking into account the different postdepositional processes that can affect the archaeological material.

Along these years of research, GEPEG has created microphotographs of phytoliths that might serve as a reference catalog to identify the phytoliths from the different areas of study.

We are pleased to present the GEPEG Phytolith-Core Reference Collection. This is a new phytolith catalog which is available at http://gepeg.org/enter_PCORE.html

The catalog is based on phytolith images collected from three different sources:
- Modern reference plant material from the study areas.
- Modern soils collected from the same areas as modern plants or from areas that were previously described in terms of vegetation.
- Archaeological material.

The catalog not only provides microphotographs of phytoliths but also related information such as provenience of the sample, date of collection, in the case of modern soil assemblages, description of the vegetation from where the samples were collected, etc.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Hugo R. Oliveira: Phylogeography of einkorn landraces in the Mediterranean basin and Central Europe: population structure and cultivation history

Saiu no último número da revista Archaeological and Anthropological Sciences um artigo de um dos autores deste blogue, Hugo Oliveira.

Tem como título:
"Phylogeography of einkorn landraces in the Mediterranean basin and Central Europe: population structure and cultivation history"

Eis a lista de todos os autores:
Hugo R. Oliveira, Huw Jones, Fiona Leigh, Diane L. Lister, Martin K. Jones and Leonor Peña-Chocarro

E a referência à revista:
Archaeological and Anthropological Sciences
Volume 3, Number 4, 327-341, DOI: 10.1007/s12520-011-0076-x

Fica aqui também o resumo:
Einkorn (Triticum monococcum L.) was one of the first cereals to be domesticated in the Old World ca. 10,000 years ago and to spread towards Europe and North Africa. Its cultivation declined before the Iron Age and it remains today only as a relic crop in remote areas. To investigate if the geographic distribution of genetic diversity in modern einkorn landrace accessions could be informative about the movement of this crop during prehistory, we genotyped 50 accessions of einkorn from Europe, North Africa and the Near East. Using nuclear and chloroplast microsatellites and clustering methods, we detected two main gene pools in einkorn. The distribution of these lineages revealed differences between accessions from Morocco and the Iberian Peninsula from the rest of Europe and the Near East and suggests different regional dynamics in the spread of this crop.

terça-feira, 12 de julho de 2011

International Code for Starch Nomenclature

O "International Code for Starch Nomenclature" (ICSN) está agora disponível em http://www.fossilfarm.org/ICSN/Code.html.

Além da nomenclatura, a página da internet tem importantes conselhos acerca de como montar um laboratório para este tipo de estudo, assim como das metodologias utilizadas.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

História das Bananas

Portugal teve um papel muito importante na dispersão da bananeira pelo mundo. Trata-se de uma espécie asiática que nós levámos para a América do Sul onde o seu cultivo de expandiu.

Mas ainda em tempos pré-históricos a bananeira chegou à África Ocidental, o que atesta que a expansão das espécies agrícolas é complexa e se processou em diferentes fases e diversas direcções.

Um interessante artigo de blogue sobre a história das bananas pode ser lido aqui.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Marfim nos Perdigões, agricultura em Marrocos: que tal se nos lembrássemos de África?

Podem encontrar aqui um primeiro artigo acerca de artefactos de marfim encontrados no "recinto" dos Perdigões. Eis a referência:

Valera, António Carlos (2010), "Marfim no recinto calcolítico dos Perdigões (1): "Lúnukas, fragmentação e ontologia dos artefactos", Apontamentos de Arqueologia e Património, 5, Lisboa, NIA-ERA Arqueologia, p. 31-42.

A recolha de marfim, assim como de ovos de avestruz em território ibérico é uma prova do contacto - directo ou indirecto? - das comunidades pré-históricas com o continente africano. Na verdade, podemos questionar o quanto beneficiaríamos de um conhecimento mais aprofundado da realidade arqueológica norte africana.

No que respeita à Arqueobotânica, um estudo de base etnoarqueológica tem incidido sobre a realidade marroquina actual, como forma de aportar novos conhecimentos acerca de práticas agrícolas neolíticas. Um texto de Leonor Peña-Chocarro et al. (2009) com resultados muito interessantes está disponível aqui.

quarta-feira, 9 de março de 2011

A exploração dos recursos florestais através da História

"A EXPLORAÇÃO DOS RECURSOS FLORESTAIS ATRAVÉS DA HISTÓRIA"

ver anúncio aqui

Formadores: Gabinete de Arqueologia da CMVC - Hugo Lopes, Jorge Machado, Miguel Costa e Tiago Brochado.V

Programa:

09H00: Recepção dos participantes

09H30: Apresentação dos participantes

10H00: Utilização de recursos Florestais - abordagem teórica

11H00: Intervalo

11H30: "A crivagem e flutuação" - aplicação prática de técnicas de investigação

13H00: Pausa para almoço

14H30: visita à Casa dos Nichos - extensão educativa para a área de arqueologia do Museu de Arte e Arqueologia

15H00: Encerramento e entrega de certificados

Participação gratuita (número limitado de inscrições).

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Formação: Introdução à Arqueobotânica

Nos próximos dias 19 e 20 de Março irá decorrer a acção de formação de "Introdução à Arqueobotânica" no Museu Monográfico de Conímbriga.

É uma formação teórica e prática que pretende abordar diversos aspectos da investigação em Arqueobotânica, desde a delineação de uma estratégia de amostragem à interpretação dos resultados, passando pelo acondicionamento de amostras e pelo trabalho de laboratório.

Vejam mais informação aqui e aqui.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

5º encontro internacional de antracologia

5th INTERNATIONAL MEETING OF CHARCOAL ANALYSIS
The charcoal as cultural and biological heritage

Valencia, Spain, September 5th-10th 2011

Terá as seguintes sessões:

1. Methods, taphonomy, dating
2. Wood and charcoal anatomy. Problems and solutions
3. Pedo-anthracology and Pre-Quaternary charcoal
4. Archaeological charcoal: natural or human impact on the vegetation
5. Ethnographical data of wood and charcoal use

Podem ver mais detalhes aqui.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Glossário Botânico

Para quem trabalha em arqueobotânica, um bom glossário dá muito jeito.

Existe on-line, no site do Herbário da Universidade de Coimbra, o Glossário de Termos Botânicos de Rosette Batarda Fernandes (1972), revisto por Fátima Sales em 2007.

Deixo aqui a definição de um elementos vegetal de grande importância no registo Arqueobotânico, e tão desconhecido entre os arqueólogos:

Espigueta (Spicula). Inflorescência elementar das Cyperaceae e Poaceae (Gramineae); nestas últimas é constituída por duas (também uma ou três) brácteas estéreis (glumas) na base, um eixo (raquila) com número variável de nós inserindo-se disticamente uma flor em cada um; o perianto é reduzido a duas (por vezes três) lodículas (v) ou ausente; as flores são rodeadas geralmente por duas brácteas (glumela inferior ou lema e glumela superior ou pálea).

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Consumo humano de cevada e aveia: o testemunho dos coprólitos

Um artigo recentemente publicado na revista Vegetation History and Archaeobotany pretende confirmar o consumo de cevada pelo homem em época romana, em contextos militares. Este consumo é mais ou menos consensual, ainda que haja quem aponte que tanto a aveia como a cevada eram principalmente consumidos por animais domésticos. Aliás, os autores mencionam unicamente a importância de provar o consumo humano da cevada, menosprezando a importância do testemunho do consumo humano da aveia.

A prova foi obtida no estudo de coprólitos. Contudo, este estudo apresenta de imediato um problema de base: a prova de que o coprólito é humano. Eis a menção que os autores fazem a este respeito:

"The contexts under analysis comprised sieved material from pit and ditch fills (see Table 1) and were not macromorphologically distinguishable as discrete human coprolites. Furthermore, no chemical approaches such as sterol analyses were used to independently confirm the presence of human sewage."

Confesso aqui a minha surpresa de que ainda se coloque a questão acerca do consumo humano da cevada, ao ponto de se sentir a necessidade de centrar um artigo nesse aspecto. Os estudos de coprólitos, quando identificada a sua origem humana ou animal (de outro animal que não o ser humano, entenda-se), justifica-se por si só, pois fornecem informações muito interessantes. Não é necessário colocar na primeira linha questões que já estão resolvidas. Mas entende-se que é necessário os artigos sejam vendáveis...

Eis a referência do artigo (descarreguem aqui):

Britton K, Huntley J (2011) New evidence for the consumption of barley at Romano-British military and civilian sites, from the analysis of cereal bran fragments in faecal material. Vegetation History and Archaeobotany 20: 41-52

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Estudo revela que os neandertais afinal cozinhavam e comiam legumes

Uma notícia do Público, seguida de um curto comentário:

O homem de Neandertal, extinto há 30 mil anos, alimentava-se de carne e de vegetais e cozinhava os alimentos, segundo um estudo publicado hoje na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, PNAS, citado pela AFP.

As investigações anteriores indicavam que os Neandertais eram sobretudo caçadores carnívoros, o que teria precipitado a sua extinção.

Pensava-se que os primeiros homens modernos com os quais aqueles coexistiram durante cerca de 10 mil anos teriam sobrevivido graças ao consumo de outros tipos de alimentos, como vegetais, peixes e mariscos, conforme os locais onde viviam.

O novo estudo parte da análise de partículas de alimentos contidas nas placas de tártaro dos dentes fossilizados de Neandertais descobertos em sítios arqueológicos do Iraque e da Bélgica, e trazem uma nova luz sobre estes primos desaparecidos.

Os investigadores, orientados por Dolores Piperno, do departamento de Antropologia do Museu de História Natural Americano Smithsonian, descobriram grãos de amido provenientes de várias plantas, entre as quais uma erva selvagem, e vestígios de diferentes legumes, raízes e tubérculos.

Muitos desses alimentos tinham sofrido modificações físicas correspondentes à cozedura, nomeadamente os grãos de amido, o que faz pensar que o homem de Neandertal dominava o fogo, tal como os primeiros homens modernos.

Os dentes continham também vestígios de partículas de tâmaras e de amido de outros vegetais que os investigadores continuam a tentar identificar.

Nenhum artefacto de pedra indica, no entanto, que os Neandertais utilizavam utensílios para moer os grãos, pelo que é provável que não praticassem agricultura.



A noticia é interessante embora deva confessar que ainda não li o artigo do PNAS. Saliento no entanto a última frase:
Nenhum artefacto de pedra indica, no entanto, que os Neandertais utilizavam utensílios para moer os grãos, pelo que é provável que não praticassem agricultura. [!!!!]

Trata-se, certamente, de um erro jornalístico. Como é que alguém colocaria a hipótese, ao ponto de assumir como questão de trabalho, que os Neandertais praticavam agricultura?! E se surgissem utensílios para moagem, seríamos confrontados com a teoria de que os Neandertais eram já agricultores? Como se não se pudessem esmagar estruturas vegetais, grãos ou outras, de origem silvestre...

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Archéologie environnementale de la France

Ver aqui.

Grâce au développement considérable des fouilles archéologiques préventives mais aussi au raffinement des techniques d'analyse, l'archéologie environnementale connaît un essor sans précédent. La compréhension des environnements du passé, de leur évolution, des impacts qu'ils ont subis et de la réaction du vivant (végétaux, animaux, humains) constitue un élément de réflexion fort pour le présent et l’avenir de l’humanité. Depuis l'apparition de l'homme et, surtout, depuis les débuts de l'agriculture, les sociétés humaines ont significativement modifié leurs écosystèmes et les cycles du vivant.
Plus récemment, elles ont commencé à altérer l'environnement global de la planète à une échelle encore inconnue jusque-là. Le développement, à partir des années 1970, des études paléoenvironnementales en archéologie par des chercheurs de plus en plus nombreux permet aujourd'hui de proposer de nombreux scénarios, passés comme futurs. Ainsi, l'archéologie environnementale a une double fonction. Elle contribue à une meilleure connaissance de l'évolution de l'homme et des sociétés et prend part à l'évaluation, à la prospective et à la prise de décision concernant l'avenir de notre planète, par son approche historique des dynamiques socioenvironnementales.
Fondé sur des analyses réalisées le plus souvent dans le cadre de l'archéologie préventive, cet ouvrage présente les différentes disciplines environnementales et les résultats les plus significatifs obtenus ces dernières années.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

TSF/IGESPAR: As hortas monásticas: Santa Clara-a-Velha

Em mais um dos programas de rádio "Encontros com o Património", será feita uma reportagem acerca dos trabalhos arqueológicos e de musealização que decorreram no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha (Coimbra) onde está previsto falar-se também dos trabalhos de paleoecologia e arqueobotânica aí realizados.

Dois dos relatórios do CIPA referentes aos trabalhos realizados com amostras recolhidas em Santa Clara-a-Velha encontram-se disponíveis aqui (Trabalhos do CIPA 97, parte 1), aqui (Trabalhos do CIPA 97, parte 2) e aqui (Trabalhos do Cipa 108). São trabalhos muito ricos em informação, justificando assim o título do programa de rádio que irá para o ar hoje ou amanhã (os sites da TSF e do IGESPAR apresentam datas diferentes) e que, posteriormente poderá ser ouvido no site da TSF ou seguindo o link do site do IGESPAR.

Eis a apresentação do programa como disponível no site do IGESPAR:
“As hortas monásticas: Santa Clara-a-Velha”

A vida quotidiana dos Mosteiros é geralmente uma temática menos explorada face ao conhecimento desenvolvido em torno dos seus aspectos artísticos. Porém, a implementação de programas interdisciplinares permitem aprofundar a informação sobre estes locais, nomeadamente através das arqueociências que nos devolvem um olhar mais completo sobre os locais. Foi precisamente o que se passou no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, passando-se a conhecer um pouco melhor os seus hábitos alimentares ou a produção que se fazia nas hortas, por exemplo. O actual projecto da “horta monástica de Santa Clara-a-Velha” visa precisamente articular o conhecimento desse passado com as actuais preocupações de natureza ambiental e de sustentabilidade. Estas são algumas das questões a explorar pelo jornalista Manuel Vilas – Boas que conversa com o Professor Saul Gomes Mendes, os Drs Artur Corte Real e Lígia Gambini e a Engª Elsa Canavarro.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Homem moderno já produzia pão há 30 mil anos na Europa

Uma notícia do jornal Público de ontem:


"Há 30 mil anos não havia sal nem fermento na culinária. Por isso, o pão em forma de bolacha era crocante e sem sabor. Uma equipa de investigadores encontrou vestígios em vários sítios arqueológicos na Europa que mostram que este alimento tinha um lugar importante na dieta dos caçadores-recoletores muito antes da existência de agricultura.


“É como um pão achatado, como uma panqueca feita só de água e de farinha”, disse citada pela Reuters Laura Longo, da Universidade de Siena, em Itália, uma dos dez autores do artigo com a descoberta, publicado esta semana na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. “Faz-se uma espécie de pita e cozinha-se numa pedra quente”, disse. O resultado é um alimento “crocante como uma bolacha, mas sem grande sabor”.

Os investigadores encontraram grãos de amido em pedras com 30 mil anos que serviriam para moer vegetais, na Itália, na Rússia e na República Checa. Antes, tinham sido encontradas pedras de moagem com 20 mil anos em Israel.

As pedras tinham restos de pequenos grãos de vegetais que os cientistas identificaram como sendo de raízes de fetos, e de uma erva chamada deBrachypodium e grãos do género da Thyfa, que são tão nutritivos como os cereais utilizados hoje.

Só durante o neolítico, há cerca de dez mil anos, é que o homem começou a plantar cereais para a alimentação, iniciando a agricultura. Mas os investigadores defendem que a abundância destas plantas seria suficiente para os alimentos fazerem parte da dieta regular 20 mil anos antes.

Um factor importante para a descoberta destes grãos, foi o facto de os investigadores não lavarem as pedras encontradas. A lavagem das pedras dificultou durante muito tempo a descoberta de vestígios vegetais da alimentação, o que fez pensar que a dieta destas populações era feita à base de carne."

Podem ver a noticia aqui.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Cambio climatico y dinamica del paisaje en Galicia


Um artigo de Ramil Rego et al (2009) disponível on line faz uma síntese da evolução da paisagem e do clima no NW peninsular. O estudo é uma síntese muito útil para compreender as dinâmicas ambientais e humanas da região.

Embora tenha como principal base os estudos polínicos realizados na Galiza inclui também referências a dados carpológicos. Os resultados são facilmente paralelizáveis com a realidade portuguesa, nomeadamente da região Norte do país, até porque os dados aqui existentes também são incluídos no estudo.

Os autores remontam o estudo a períodos pré-würmianos, mas centram o texto principalmente na caracterização da realidade do Würm, do Holoceno e do Antropoceno.

A perspectiva climática apresenta algumas divergências com modelos definidos por outros autores (ver referências abaixo) e tem como base a comparação de inúmeras sequências polínicas com os dados isotópicos dos cores da Gronelândia.

Eis o resumo:
Pollen sequences, in particular those obtained from limnetic sediments, have emerged as the most effective tool when assessing Quaternary climatic changes
at regional level and their impact on ecosystems. An important part of the records obtained in the NW Iberian has less than 3,000 years BP; the continuous sequences of more than 6,000 years and chronologies reaching 10,000 or 12,000 years, is limited to large peatlands in mountain areas; finally, the periods of more than 17,000 years are represented only in fossilized sediments, in which were obtained continuous records of 10,000 or 20,000 years and exceptionally periods of more than 50,000. The more than 200 sequences available for the NW Iberian peninsula, allow a proper evaluation of the impact of climate change and anthropogenic influence on ecosystems over the past 100,000 years. The abundance of data, agrees to recognize the different influence of these changes on the different biogeographic areas of the territory.

Referências:

Fábregas Valcarce, R., A. Martínez Cortizas, et al. (2003). "Environmental change and social dynamics in the second-third millennium BC in NW Iberia." Journal of Archaeological Science 30(7): 859-871.

Martínez-Cortizas, A., X. Pontevedra-Pombal, et al. (1999). "Mercury in a Spanish Peat Bog: Archive of Climate Change and Atmospheric Metal Deposition." Science 284(5416): 939-942.

Martínez-Cortizas, A., M. Costa-Casais, et al. (2009). "Environmental change in NW Iberia between 7000 and 500 cal BC." Quaternary International 200(1-2): 77-89.

Mighall, T., Martínez Cortizas, A., Biester, H., Turner, S. (2006). "Proxy climate and vegetation changes during the last five millennia in NW Iberia: Pollen and non-pollen palynomorph data from two ombrotrophic peat bogs in the North Western Iberian Peninsula." Review of Palaeobotany and Palynology 141: 203–223.

Ramil Rego, P., L. Gómez-Orellana, et al. (2009). "Cambio climático y dinámica del paisaje en Galicia." Recursos Rurais 5: 21-47.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Randi Danielsen - Uma Palinóloga ao Serviço da Arqueologia Portuguesa: a tese on-line

Aproveitamos para referir que a tese de Randi Danielsen está disponível na internet, no repositório da Universidade do Minho.

Podem seguir esta ligação.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Randi Danielsen - Uma Palinóloga ao Serviço da Arqueologia Portuguesa

Randi Danielsen doutorou-se em Biologia, especialidade em Palinologia pela Universidade do Minho em 2009. Foi recentemente integrada no Laboratório de Arqueociências do IGESPAR, IP. Aceitou responder a algumas questões do Arqueociências e aqui as partilhamos convosco.


O título da sua tese é "Alterações Ambientais na Planície Costeira de Quiaios-Tocha durante o Holocénico Recente". Porquê a escolha desta temática?
Como sou palinóloga, a abordagem foi nesta área científica. Primeiro, porque achei interessante. Segundo, porque encontrei um grupo de investigadores que vivem e trabalham na zona de Quiaios. Estudam vários temas da ecologia da paisagem nesta região: os animais e outros aspectos da zoologia, a flora, como é o caso dos líquenes, mas faltava o conhecimento sobre a história da paisagem e sobre o desenvolvimento ambiental. Na região existem várias lagoas com sedimentos anaeróbicos que contêm pólenes e isto é um aspecto fundamental para levar a cabo este tipo de investigação. Existiam, portanto, muitos argumentos para realizar este estudo, mas faltavam verbas. O grupo de Quiaios incentivou-me a candidatar a uma bolsa de FCT e por sorte consegui.
O período abrangido pelo estudo foi o que os sedimentos reflectiram, o Holocénico Recente desde c. 5000 BP. Se fosse possível encontrar sedimentos orgânicos mais antigos seria interessante. Mas para viabilizar o seu estudo seria necessário um equipamento de sondagem melhor.

Qual foi a metodologia utilizada para identificar as alterações climáticas?
Um estudo palinológico não mostra as alterações climáticas de forma directa, mas sim a história da vegetação. A identificação de alterações ambientais pode reflectir mudanças climáticas, mudanças na configuração da linha da costa e no nível do mar, e naturalmente, a própria intervenção humana na paisagem (pastagens, silvicultura, horticultura e agricultura). Completamente essencial para o processo de entendimento e para atingir os resultados do estudo foi a cooperação multidisciplinar com um grupo de investigadores do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra. Fizeram na mesma região investigações exaustivas e abrangentes nas áreas de hidrogeologia (Ana Castilho), sedimentologia (Ana Castilho e Pedro Dinis) e malacologia (Pedro Callapez). Só depois de juntarmos os nossos resultados é que chegamos a uma visão mais global que permitiu apresentar conclusões sobre as alterações ambientais.

Quais foram os principais resultados da sua investigação?
A investigação abrange diversas áreas científicas;

História da vegetação:
Na região de Quiaios – Tocha (bem como na maior parte da zona litoral Portuguesa) existia uma floresta de pinheiros e carvalhos no Holocénico Antigo e Médio. Mais tarde, e em resultado da intervenção humana (em alguns casos combinado com factores climáticos), esta floresta desapareceu e deu lugar a uma paisagem de charneca dominada pela urze de vassoura. Isto processou-se em diferentes momentos, considerando toda a faixa litoral, o que permite concluir que o principal responsável por esta mudança foi o Homem. O pastoreio e a deterioração do clima nos séculos XVII e XVIII (a chamada Pequena Idade do Gelo), fizeram com que a vegetação na zona de Quiaios – Tocha se tornasse mais vulnerável, aparecendo em manchas dispersas, perdendo assim a capacidade de proteger o ambiente contra as inundações de areias. O resultado foi a "desertificação" (foto). Desde 1924 que a zona tem vindo a ser reflorestada – o pinheiro bravo é actualmente a espécie predominante mas existem também algumas manchas de outras espécies nacionais e exóticas.

A linha da costa:
Os resultados também deram indicações importantes sobre a linha da costa. Durante o máximo glacial, há cerca de 18 000 anos antes do presente, o nível do mar estava a uma cota de -120 metros e consequentemente a linha da costa encontrava-se muito afastada do traçado actual. A estabilização ocorreu há cerca de 5000 anos antes do presente. As investigações na zona de Quiaios-Tocha mostraram que a posição mais oriental da linha de costa estava sensivelmente 1 km mais recuada do que hoje em dia. Assim, foi refutada a tese de muitos investigadores que propunham, para esta região, uma linha de costa situada bem mais para o interior, i.e. cerca de 6-7 km.
Quando a aceleração da subida do nível do mar diminuiu formaram-se lagunas salubres ao longo da costa devido a formações de barreiras arenosas protectoras. A vegetação nestas lagunas caracteriza-se por conjuntos florísticos que aguentam este tipo de ambiente, mas também algumas árvores como o amieiro. Ao longo de toda a faixa entre Quiaios e Tocha existem sedimentos argilosos formados neste tipo de laguna. Estes sedimentos estão colmatados por areias, mostrando um processo de assoreamento das lagunas que é posterior a 4000 anos antes do presente.

Gerações de dunas e episódios eólicos:
Foram documentados vários episódios eólicos durante os quais diferentes tipos de dunas se formaram na região. As mais antigas são as dunas truncadas na parte oriental de Gândara, cuja formação teve origem há cerca de 12 000 anos antes do presente. Posteriormente formaram-se dunas parabólicas durante um ou vários períodos eólicos. Finalmente, durante a Pequena Idade do Gelo, há 300-200 anos, formaram-se dunas oblíquas e transversais com grandes extensões verticais e horizontais. As dunas parabólicas foram cobertas de areias e, actualmente, apenas existem pequenas manchas que, durante esta ultima geração de dunas, se encontravam protegidas por floresta.

História das lagoas de água doce:
As actuais lagoas em Quiaios têm uma origem recente: cerca de 300 anos. Existe uma relação entre o movimento de dunas e a deslocação das lagoas para o interior. Numa das lagoas actuais encontrei uma extensa camada contendo raízes e troncos de um arbusto (Erica erigena). A origem da camada era contemporânea da génese da lagoa, evidenciando uma morte abrupta dos arbustos devido a uma inundação local. Foram igualmente identificados sedimentos lacustres cobertos por areias em zonas mais ocidentais do que a localização das lagoas actuais. O topo do sedimento num destes locais foi datado de há cerca de 400 anos. Conclui-se, assim, que a lagoa foi colmatada por areias e, em seguida, emergiram as águas em zonas baixas localizadas mais para o interior.

Diferenças actuais entre as lagoas:
Detectou-se, também, que as lagoas de Vela e Braças, actualmente com características químicas e ambientais diferentes, tiveram evoluções distintas desde a sua génese. Em colaboração com a hidrogeóloga da Universidade de Coimbra, verificámos que este facto está relacionado com a divergência da direcção do fluxo de água e o gradiente hidráulico nas lagoas. O fluxo de água na Lagoa da Vela vem de leste, onde se encontram os campos de agricultura. Como o gradiente hidráulico é baixo, a lagoa tem água estagnada e poluída, com um pH superior a 9. O fluxo de água da Lagoa das Braças é de sul, ou sudoeste, e vem de uma zona de dunas cobertas actualmente por um pinhal. O gradiente hidráulico é muito maior do que na Lagoa da Vela, o que faz com que a água esteja menos poluída, apresentando uma renovação mais rápida. Actualmente a Lagoa das Braças é eutrófica, com um pH c. 8. A morte de peixes e o afloramento de cianobactérias causada pela poluição só se verifica na Lagoa da Vela.



Vista da Bandeira no Cabo Mondego nos anos de 1930 (Foto: extraída de um filme de Manuel Santos. Biblioteca Municipal, Figueira da Foz)

Que importância têm os seus resultados para o Planeamento e Gestão das zonas costeiras Portuguesas?
Os resultados mostram que o ambiente é vulnerável e não aguenta grandes impactes externos. A inundação das areias pode acontecer novamente e, por isso, é necessário ter cuidado com os impactes que provocamos na natureza. Recentemente foi realizada uma grande desarborização na zona da Praia de Mira para a instalação de uma fábrica. Impactes deste tipo podem representar um perigo perante um ambiente tão vulnerável.
A construção de infra-estruturas pode afectar os aquíferos e o nível de lençol freático. Ambas as lagoas são pouco profundas e são fortemente afectadas por diversas variações, seja ao nível da pluviosidade ou mesmo do consumo de água para diferentes propósitos. A instalação de um campo de golfe e de um possível aldeamento foram planeados e aceites ao lado da Lagoa da Vela. Isto implicará um aumento significativo no consumo de água na zona, com perigo de secagem da lagoa e de todos os poços que existem à sua volta. Isto poderá provocar o abaixamento do nível freático na zona, pondo em perigo a irrigação dos campos agrícolas.
Outra preocupação que tenho diz respeito à arborização. Acho que cometeram um erro ao plantar monoculturas de pinheiro ao longo do litoral. Mais persistente contra fogos e contra doenças seria uma floresta como aquela que existia há cerca de 5000 anos, com pinheiros e carvalhos (carrasco e Carvalho-português). Em futuras plantações deviam plantar manchas de árvores caducifólias entre os pinheiros.

O que falta ainda fazer neste domínio em Portugal?
Ainda falta fazer análises em várias regiões do país que mostrem o desenvolvimento da vegetação durante o Holocénico. Isto para termos uma visão mais global da evolução da vegetação no país e para mais facilmente resolver a cronologia dos depósitos investigados. Também falta estudar os ambientes em tempos mais antigos.
Similarmente, são muito escassas as investigações palinológicas em contextos arqueológicos. Espero que esta lacuna seja colmatada o mais brevemente possível.

Que outras aplicações existem para a abordagem palinológica?
Além da sua utilização em contextos arqueológicos, a palinologia é utilizada na área medicinal (as alergias, por exemplo) e também na forense.

De há três meses para cá tem desenvolvido a sua actividade no Laboratório de Arqueociências do IGESPAR. Em que projectos está actualmente a trabalhar?
Em colaboração com o grupo de Coimbra acabámos há pouco um artigo que submetemos à revista The Holocene. Estou também a preparar um poster para uma conferência internacional sobre paisagens culturais na Europa. Preparo ainda algumas aulas de palinologia para futuro ensino na universidade de Lisboa e em Coimbra.
O projecto mais importante está relacionado com o restabelecimento das colecções de referência de sementes e de pólenes para futuras investigações e estudos.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Arqueobotânica em Bolada (Celorico de Basto)

Não é uma sitío arqueológico muito conhecido na bibliografia arqueológica mas em Bolada (S. Bartolomeu do Rêgo, Celorico de Basto) forma recolhidos macrorrestos vegetais. Em níveis datados da segunda metade do IV milénio AC (dados retirados de Sampaio e Carvalho, 2002):
"código de laboratório: Sac-1575
datação: 5510 ± 55 BP
calibração a 1 sigma: 4449-4257 cal BC
calibração a 2 sigma: 4457-4249 cal BC"

Os vestígios carpológicos mencionados na publicação são: "bolbos de Allium spharocephalom (Alho Bravo), caroços de Olea europaea sylvestris (Zambujeiro) e sementes de Vicia faba minor (Fava)" e "tubérculos da base do colmo de Arrhenatherum elatius bulbosum (Erva-Nozelha)".

É esta a publicação:

Sampaio, J. and A. Carvalho (2002). "Intervenção de salvamento no sítio de Bolada (S. Bartolomeu do Rêgo, Celorico de Basto)." Revista Portuguesa de Arqueologia 5(1): 29-38.

Está disponível on line aqui

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Triticum compactum: sinonímia

Quem ler os estudos de arqueobotânica portugueses, ou sobre contextos portugueses, depara-se com uma multiplicidade de designações que pretendem nomear o mesmo morfotipo de grãos de trigo. É confuso e por isso faço aqui um esclarecimento no que se refere aos trigos de grão nu.

Do ponto de vista da morfologia dos grãos, distinguem-se dois tipos morfológicos de trigo nu. São eles Triticum aestivum/durum e Triticum compactum.

O primeiro refere-se a grãos grandes, com sulco ventral profundo, aspecto inchado e linha dorsal curva (convexa) de forma mais ou menos homogénea. Abordarei este tipo morfológico noutra ocasião, neste blogue.

A designação “Tipo Triticum compactum” refere-se a grãos um pouco mais curtos e arredondados que se distinguem de forma mais ou menos clara dos anteriores. O uso de um tipo morfológico, invés da designação de espécie deve-se ao facto de mais de uma espécie poder apresentar esta morfologia de grãos curtos. Aliás, até os grãos pouco desenvolvidos das espécies compreendidas no tipo T. aestivum/durum poderão apresentar esta morfologia.

A designação “Tipo T. compactum” corresponde ao que S. Jacomet (2006) designa de “stubby grains”.

Nas referências arqueobotânicas portuguesas as designações utilizadas para nomear este morfotipo são as seguintes: Triticum compactum, T. parvicoccum, T. aestivum var. sphaerococcum e “trigo globiforme”. Não sabemos se correspondem à mesma espécie. Sabemos que deverão ser o mesmo tipo morfológico, não sendo possível uma distinção ao nível da espécie. Isto é, são diferentes designações para grãos semelhantes.

Só conhecendo as sinonímias é possível estabelecer comparações.

Referência:

JACOMET, S. (2006) - Identification of cereal remains from archaeological sites. 2ª edição. Disponível em: http://pages.unibas.ch/arch/archbot/pdf/index.html

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Poço de Idanha a Velha

O poço de Idanha a Velha foi escavado há mais de 40 anos. No decorrer da sua escavação foram encontrados vestígios de plantas. Estas foram estudadas pelo precursor da arqueobotânica em Portugal, o Engenheiro Pinto da silva. Eis a lista de espécies encontradas

Ecballium elaterium (Pepineiro bravo) - 1 semente

Juglans regia (Nogueira) - 3 fragmentos de casca de noz

Olea europaea (Oliveira/Zambujeiro) - 46 caroços, alguns com vestígios de pedúnculos

Pinus pinaster (Pinheiro bravo) - 1 semente

Pinus pinea (Pinheiro manso) - 16 frags de casca de pinhões e 1 semente completa

Prunus cf. avium (Cerejeira) - 2 caroços

Prunus domestica (Ameixeira) - 3 caroços

Prunus persica (Pessegueiro)- 6 caroços

Punica granatum (Romãzeira) - 18 frags de casca de fruto

Vitis vinifera (Videira) - 24 graínhas

Como podemos ver, a maioria dos macrorrestos recolhidos pertencem a árvores de frutos. Atrevo-me a sugerir que há aqui uma selecção pelo tamanho, i.e., não tendo sido utilizadas técnicas adequadas de recolha de macrorrestos, só foram recolhidos aqueles que foram observados durante a escavação, isto é, os de maior dimensão. O que não se vê, não se recolhe. Há 40 anos, como hoje...

Referência:
ALMEIDA, F. e FERREIRA, O.V. (1967) – Um Poço Lusitano-Romano encontrado em Idanha-a-Velha. O. Arqueólogo Português, série III, I: 57-63 Disponível on-line aqui.